Tratamento de Escolha para Carcinoma Epidermóide do Colo Uterino EC IIB
O tratamento de escolha para carcinoma epidermóide do colo uterino estádio IIB é a quimiorradioterapia concomitante com cisplatina, seguida de braquiterapia. 1
Fundamentos do Tratamento
O estádio IIB do câncer de colo uterino é caracterizado pela invasão parametrial sem atingir a parede pélvica. Para este estágio, as diretrizes atuais recomendam:
- Tratamento padrão: Quimiorradioterapia concomitante com cisplatina seguida de braquiterapia
- Dose de radiação: 75-80 Gy no ponto A (combinação de radioterapia externa e braquiterapia) 1
- Quimioterapia: Cisplatina 40 mg/m² semanal durante a radioterapia externa (esquema preferido) 1
Evidência Científica
A recomendação de quimiorradioterapia concomitante baseia-se em fortes evidências:
- Meta-análise de 18 estudos randomizados demonstrou benefício absoluto de 8% na sobrevida global em 5 anos, 9% na sobrevida livre de doença locorregional e 7% na sobrevida livre de metástases 1
- O National Cancer Institute (NCI) publicou um comunicado clínico em 1999 recomendando fortemente o uso de quimiorradioterapia concomitante à base de platina para pacientes com doença localmente avançada 1
Esquemas de Quimioterapia
- Esquema preferido: Cisplatina 40 mg/m²/semana durante a radioterapia externa 1
- Alternativas para pacientes que não toleram cisplatina:
Considerações Técnicas da Radioterapia
- A radioterapia deve incluir irradiação externa da pelve e braquiterapia
- O tempo total de tratamento (radioterapia externa + braquiterapia) deve ser inferior a 8 semanas 1
- A dose total no ponto A deve ser de 75-80 Gy 1
- O tratamento deve ser modificado com base na tolerância do tecido normal, fracionamento e tamanho do volume-alvo 1
Abordagem Cirúrgica
A cirurgia primária não é recomendada para estádio IIB. As diretrizes da ESMO (European Society for Medical Oncology) classificam claramente o estádio IIB na categoria de tratamento com quimiorradioterapia combinada com cisplatina 1.
Existe controvérsia sobre a realização de histerectomia adjuvante após quimiorradioterapia (também conhecida como cirurgia de complementação):
- Pode melhorar o controle pélvico, mas não a sobrevida global 1
- Está associada a maior morbidade 1
- É considerada categoria 3 (grande desacordo) nas diretrizes do NCCN 1
Avaliação Pré-tratamento
Antes de iniciar o tratamento, recomenda-se:
- Exames de imagem (incluindo PET/CT) para avaliação de doença extrapélvica 1
- RM para descrever a extensão local da doença e auxiliar no planejamento da radioterapia 1
- Biópsia por agulha pode ser considerada para achados de imagem questionáveis 1
Pontos de Atenção
- O volume de radioterapia é crítico e guiado pela avaliação do envolvimento nodal pélvico e para-aórtico 1
- O estadiamento cirúrgico (dissecção linfonodal extraperitoneal ou laparoscópica) é uma opção 1
- A toxicidade da quimiorradioterapia é principalmente hematológica e gastrointestinal 1
- O controle local para estádio IIB com radioterapia isolada é de 70-80%, mas melhora significativamente com a adição de quimioterapia 1
Resultados Esperados
Com o tratamento padrão de quimiorradioterapia concomitante, a sobrevida em 5 anos para estádio IIB é de aproximadamente 65% 1, com taxas de controle local significativamente melhores do que com radioterapia isolada.