Indicação de Quimioterapia de Indução com Carboplatina e Taxol
A quimioterapia de indução com carboplatina e paclitaxel (Taxol) não é recomendada antes da quimiorradioterapia concomitante no tratamento do câncer de pulmão de células não pequenas localmente avançado (CPCNP-LA), conforme evidência de categoria I, C. 1
Evidência para Câncer de Pulmão de Células Não Pequenas
Recomendações para CPCNP-LA:
- Em um estudo fase III, pacientes foram randomizados entre quimioterapia de indução com carboplatina/paclitaxel seguida de radioterapia concomitante com a mesma quimioterapia versus apenas quimiorradioterapia concomitante 1
- Não foram observadas diferenças em nenhum desfecho, exceto maior toxicidade hematológica no braço de indução
- Portanto, a quimioterapia de indução baseada em carboplatina antes da quimiorradioterapia concomitante não é recomendada (evidência categoria I, C) 1
Regime preferencial para CPCNP-LA:
- Regimes baseados em cisplatina são recomendados (categoria II, A) para quimiorradioterapia concomitante 1
- Os medicamentos mais comumente usados com cisplatina são etoposídeo (dose sistêmica completa 100-120 mg/m²) e vinorelbina (60% da dose sistêmica, 15 mg/m²) 1
- Recomenda-se de dois a quatro ciclos de quimioterapia dupla baseada em cisplatina (categoria III, B) 1
Abordagens sequenciais:
- Em abordagens sequenciais (indução antes da cirurgia ou radioterapia), os mesmos regimes duplos baseados em cisplatina são recomendados, com número de ciclos variando de dois a quatro (categoria I, A) 1
Considerações para outros tipos de câncer
Para câncer de ovário, a combinação de carboplatina e paclitaxel é considerada o tratamento padrão para quimioterapia primária/adjuvante 1, mas não há menção específica sobre seu uso como terapia de indução.
Considerações sobre toxicidade e sequenciamento
- A combinação carboplatina/paclitaxel está associada a toxicidade hematológica significativa quando usada como indução 2
- Estudos in vitro sugerem que a interação entre paclitaxel e carboplatina é altamente dependente do esquema de administração, com resultados ótimos quando o paclitaxel é administrado antes da carboplatina 3
Conclusão clínica
A quimioterapia de indução com carboplatina e paclitaxel antes da quimiorradioterapia concomitante não demonstrou benefício em termos de sobrevida e está associada a maior toxicidade hematológica em pacientes com CPCNP-LA. Regimes baseados em cisplatina são preferidos quando a terapia tem intenção curativa.
Pontos importantes:
- A quimioterapia de indução com carboplatina/paclitaxel não demonstrou benefício em sobrevida global
- Aumenta a toxicidade hematológica sem benefício clínico
- Para CPCNP-LA, regimes baseados em cisplatina são preferidos quando o tratamento tem intenção curativa
- O sequenciamento adequado dos agentes (paclitaxel seguido de carboplatina) pode ser importante para minimizar antagonismo quando estes agentes são utilizados em combinação