Radioterapia Adjuvante para Tumor Triquilemau com Margem de 1 mm
A radioterapia adjuvante é fortemente recomendada para pacientes com tumor triquilemau ressecado com margem de 1 mm, devendo ser irradiado o leito tumoral com margem de segurança de pelo menos 1-2 cm. Esta recomendação baseia-se nas diretrizes atuais para manejo de sarcomas de partes moles e outros tumores raros com margens cirúrgicas estreitas.
Indicação de Radioterapia Adjuvante
Justificativa para radioterapia:
- Margens cirúrgicas estreitas (1 mm) são consideradas inadequadas e representam um fator de risco significativo para recorrência local 1, 2
- As diretrizes britânicas para manejo de sarcomas de partes moles indicam que margens menores que 1 cm, quando associadas à radioterapia adjuvante, proporcionam excelente controle local mesmo para tumores de alto grau 1
- Estudos demonstram que a radioterapia adjuvante reduz significativamente o risco de recorrência local em tumores com margens positivas ou estreitas 3, 4
Critérios específicos para indicação:
- Margens cirúrgicas < 1 cm são consideradas inadequadas para tumores como o triquilemau 2
- A margem de 1 mm no caso apresentado é significativamente menor que o recomendado de ≥ 1 cm para excisão ampla 2
- O risco de recorrência local é substancialmente maior quando as margens são menores que 1 cm 2
Campos de Irradiação
Área a ser irradiada:
- Leito tumoral primário com margem de segurança de 1-2 cm ao redor da cicatriz cirúrgica
- Não há indicação para irradiação de cadeias linfonodais regionais na ausência de envolvimento linfonodal documentado
Dose recomendada:
- 60-66 Gy em frações de 1,8-2 Gy para radioterapia pós-operatória 1
- Alternativamente, esquemas hipofracionados podem ser considerados (25-30 Gy em cinco frações ao longo de uma semana) 1
Considerações Importantes
Fatores que influenciam a decisão:
- A localização anatômica do tumor triquilemau deve ser considerada para planejamento dos campos de irradiação
- O grau histológico do tumor, se disponível, pode influenciar a agressividade do tratamento
- A presença de outros fatores de risco como invasão perineural ou linfovascular aumentaria ainda mais a necessidade de radioterapia adjuvante 1
Cuidados e contraindicações:
- Avaliar a proximidade de estruturas críticas que possam limitar a dose de radiação
- Considerar o estado geral do paciente e comorbidades que possam aumentar o risco de toxicidade da radioterapia
Evidências de Suporte
As diretrizes britânicas para manejo de sarcomas de partes moles (2025) estabelecem claramente que uma ressecção oncológica definitiva com margem microscópica positiva ou planejada próxima, quando associada à radioterapia adjuvante, ainda está associada a excelente controle local, mesmo para tumores de alto grau 1.
Estudos retrospectivos demonstram que a radioterapia adjuvante reduz significativamente o risco de recorrência local em tumores com margens positivas ou estreitas 3, 4. Um estudo específico sobre tumores desmoides mostrou que o controle local em 6 anos foi de apenas 32% com cirurgia isolada versus 78% com cirurgia mais radioterapia adjuvante em pacientes com margens positivas 3.
As diretrizes do NCCN para manejo de neoplasias raras recomendam excisão local ampla com margens ≥1 cm para tumores pilares proliferativos, com consideração de radioterapia adjuvante para variantes malignas ou casos com margens inadequadas 2.
A radioterapia adjuvante tem demonstrado eficácia na prevenção de recorrência local em sarcomas de partes moles, independentemente da profundidade do tumor, grau de malignidade e status da margem cirúrgica 4.