Risco de Infecção Urinária em Pacientes com Ureterostomia
Pacientes com ureterostomia apresentam risco significativamente elevado de infecções urinárias devido às alterações anatômicas e funcionais do trato urinário, sendo considerados como portadores de fatores de risco para infecções urinárias complicadas. 1
Fatores de Risco Específicos
A ureterostomia representa uma alteração anatômica significativa do trato urinário que predispõe a infecções por diversos mecanismos:
- Alteração anatômica: A ureterostomia é considerada uma anormalidade estrutural que classifica qualquer infecção urinária como "complicada" 1
- Presença de cateter/estoma: Funciona como porta de entrada para microrganismos 2
- Formação de biofilme: Bactérias podem formar biofilmes na superfície interna dos cateteres, protegendo-as de agentes antimicrobianos 2
- Colonização bacteriana: Ocorre quase inevitavelmente em pacientes com cateterização de longo prazo 2
Microrganismos Comuns
Os patógenos mais frequentemente associados às infecções em pacientes com ureterostomia incluem:
- Escherichia coli: Responsável por aproximadamente 75% das infecções urinárias recorrentes 1
- Enterococcus faecalis
- Proteus mirabilis: Particularmente problemático por produzir urease, levando à formação de incrustações 2
- Klebsiella
- Staphylococcus 1, 3
Prevenção de Infecções
Para reduzir o risco de infecções urinárias em pacientes com ureterostomia, recomenda-se:
- Hidratação adequada: Promover micção frequente para limpeza do trato urinário 1, 4
- Higiene rigorosa: Cuidados meticulosos com o estoma e região periestoma
- Troca adequada de dispositivos: Quando aplicável, seguir rigorosamente os protocolos de troca
- Monitoramento de sintomas: Identificação precoce de sinais de infecção
Tratamento de Infecções
Quando ocorrer infecção urinária em pacientes com ureterostomia:
- Coleta de cultura: Fundamental para identificação do patógeno e teste de sensibilidade
- Antibioticoterapia empírica inicial: Considerar cobertura para patógenos comuns, incluindo E. coli e Proteus
- Ajuste conforme antibiograma: Essencial para evitar falha terapêutica e recorrência 5
- Duração do tratamento: 7-14 dias para infecções complicadas 4
Opções de antibióticos:
- Primeira linha: Nitrofurantoína 100mg duas vezes ao dia por 5-7 dias (se função renal adequada)
- Alternativas: Fosfomicina trometamol 3g dose única, ou Trimetoprim-sulfametoxazol 160/800mg duas vezes ao dia por 7 dias (se resistência local <20%) 4
- Infecções graves: Considerar antibióticos parenterais como ceftriaxona ou cefotaxima 4
Manejo de Infecções Recorrentes
Em casos de infecções recorrentes:
- Avaliação urológica: Investigar obstruções, cálculos ou outras complicações
- Profilaxia antibiótica: Considerar em casos selecionados com infecções frequentes (≥3 por ano) 4
- Troca de cateter: Quando aplicável, realizar troca dentro dos primeiros 4 dias de infecção para reduzir risco de recorrência 5
Complicações Potenciais
As infecções urinárias em pacientes com ureterostomia podem levar a:
- Bacteremia: Ocorre em 2-4% dos pacientes com infecção urinária associada a cateter 2
- Cicatrizes renais: Risco aumentado com infecções recorrentes 1
- Pielonefrite: Pode ocorrer por ascensão da infecção
- Sepse urinária: Complicação grave que requer intervenção imediata
É fundamental o acompanhamento regular destes pacientes por equipe multidisciplinar, incluindo urologista, para minimizar o risco de complicações e garantir intervenção precoce quando necessário.