Antipsicóticos com Menos Efeitos Sexuais
O aripiprazol é o antipsicótico com menor incidência de disfunção sexual, seguido por quetiapina, enquanto risperidona apresenta os maiores efeitos sexuais adversos entre os atípicos. 1
Comparação dos Antipsicóticos em Relação aos Efeitos Sexuais
Os antipsicóticos diferem significativamente em seus perfis de efeitos colaterais sexuais, o que pode impactar diretamente a qualidade de vida e a adesão ao tratamento. Baseado nas evidências mais recentes, podemos classificar os antipsicóticos do melhor para o pior em termos de efeitos sexuais:
- Aripiprazol: Apresenta o menor risco de disfunção sexual
- Quetiapina: Demonstra baixa incidência de disfunção sexual em tratamentos de curto prazo
- Olanzapina: Incidência moderada a alta de disfunção sexual
- Antipsicóticos típicos (como haloperidol): Alta incidência de disfunção sexual
- Risperidona: Apresenta a maior incidência de disfunção sexual entre os atípicos
Mecanismos dos Efeitos Sexuais
Os efeitos sexuais adversos dos antipsicóticos estão frequentemente relacionados à hiperprolactinemia:
- Aripiprazol: Como agonista parcial dos receptores D2, tem um perfil único que não eleva a prolactina e pode até reduzir níveis elevados 2
- Risperidona: Causa significativa elevação da prolactina, resultando em maior incidência de disfunção sexual (43,2%) 3
- Quetiapina: Apresenta menor risco de disfunção sexual (18,2%) em tratamentos de curto prazo 3
- Olanzapina: Apresenta incidência considerável de disfunção sexual (35,3%) 3
Tipos de Disfunções Sexuais por Antipsicóticos
Os antipsicóticos podem causar diversos tipos de disfunções sexuais:
- Em homens: Diminuição da libido, disfunção erétil e dificuldades ejaculatórias
- Em mulheres: Diminuição da libido, irregularidades menstruais, amenorreia e galactorreia
- Em ambos os sexos: Anorgasmia e diminuição da satisfação sexual geral
Estratégias para Manejo dos Efeitos Sexuais
Quando um paciente apresenta disfunção sexual significativa relacionada ao uso de antipsicóticos, as seguintes estratégias podem ser consideradas:
Troca para aripiprazol: Estudos mostram melhora significativa da função sexual após a troca para aripiprazol, com redução da prolactina e melhora da libido, função erétil e ejaculatória em homens, e normalização da função menstrual em mulheres 4
Adição de aripiprazol: Quando a troca completa não é viável, a adição de aripiprazol ao esquema atual pode reduzir a hiperprolactinemia e melhorar a função sexual 2
Uso de quetiapina: Como alternativa ao aripiprazol, especialmente em tratamentos de curto prazo 5
Monitoramento dos Efeitos Sexuais
É importante destacar que existe uma discordância significativa entre a percepção dos pacientes e dos psiquiatras sobre disfunção sexual, com os médicos frequentemente subestimando esses problemas 5. Portanto:
- Questione ativamente sobre função sexual durante o acompanhamento
- Monitore os níveis de prolactina quando necessário
- Avalie regularmente a satisfação do paciente com sua função sexual
Considerações Especiais
- A disfunção sexual afeta entre 30-80% dos pacientes com esquizofrenia e é uma causa importante de baixa qualidade de vida 1
- Os efeitos sexuais adversos estão entre as principais causas de não adesão ao tratamento
- A disponibilidade de antipsicóticos que poupam a prolactina (aripiprazol e quetiapina) permite um manejo mais proativo da função sexual
Em conclusão, ao escolher um antipsicótico para pacientes preocupados com efeitos sexuais, o aripiprazol deve ser considerado como primeira opção, seguido pela quetiapina. Para pacientes já em tratamento com outros antipsicóticos que desenvolvem disfunção sexual, a troca para aripiprazol ou a adição deste ao esquema atual pode resultar em melhora significativa da função sexual.