Escitalopram versus outros ISRS no tratamento da depressão
O escitalopram não é universalmente superior a todos os outros ISRS, mas apresenta algumas vantagens em eficácia e tolerabilidade em comparação com outros antidepressivos da mesma classe em determinados contextos clínicos. 1, 2
Mecanismo de ação e características farmacológicas
- O escitalopram é o S-enantiômero do citalopram racêmico, sendo considerado o ISRS mais seletivo disponível, com mínima afinidade por outros receptores 3, 4
- Além da inibição da recaptação de serotonina, o escitalopram possui propriedades alostéricas que podem contribuir para seu perfil terapêutico diferenciado 1
- O escitalopram inibe a recaptação de serotonina de forma mais potente (cerca de 100 vezes) que o R-enantiômero, sendo responsável pelo efeito terapêutico do citalopram racêmico 3
Eficácia comparativa
- Meta-análises mostram que o escitalopram pode ser superior a outros ISRS convencionais em termos de resposta ao tratamento e remissão da depressão 2, 5
- Em pacientes com depressão grave (escore MADRS ≥30), o escitalopram demonstrou superioridade em relação ao citalopram, com maior redução nos escores de depressão e taxas de resposta mais elevadas 6
- Para pacientes sem tratamento prévio, todos os antidepressivos de segunda geração (incluindo os ISRS) são considerados igualmente eficazes, sendo a escolha baseada principalmente no perfil de efeitos adversos, custo e frequência de dosagem 7
- Os ISRS como classe são considerados medicamentos de terceira linha para dor neuropática, com eficácia inconsistente, embora o escitalopram tenha mostrado alívio da dor significativamente maior que placebo em alguns estudos 7
Perfil de tolerabilidade
- O escitalopram geralmente apresenta melhor tolerabilidade em comparação com outros antidepressivos 1, 5
- A taxa de descontinuação devido a eventos adversos é menor com escitalopram (6,7%) em comparação com outros antidepressivos (9,1%) 2
- O escitalopram tem menor potencial de interações medicamentosas clinicamente relevantes devido a múltiplas vias de degradação metabólica 4
- O paroxetina está associado a antagonismo muscarínico colinérgico e potente inibição do CYP2D6, enquanto o sertralina apresenta moderadas questões de interação medicamentosa em comparação com o escitalopram 1
Considerações especiais para populações específicas
- Em idosos, os agentes preferidos incluem citalopram, escitalopram, sertralina, mirtazapina e venlafaxina 7
- Para idosos, recomenda-se evitar paroxetina e fluoxetina devido a maiores taxas de efeitos adversos nessa população 7
- Em adolescentes, a farmacocinética do escitalopram após doses múltiplas é semelhante à dos adultos, não sendo necessário ajuste de dose 3
Limitações e advertências
- Aproximadamente 63% dos pacientes que recebem antidepressivos de segunda geração experimentam pelo menos um efeito adverso durante o tratamento 7
- Os efeitos adversos comuns dos ISRS incluem diarreia, tontura, boca seca, fadiga, disfunção sexual, sudorese, tremor e ganho de peso 7
- Náusea e vômito são as razões mais comuns para descontinuação do tratamento 7
Conclusão prática
- O escitalopram pode ser considerado uma opção de primeira linha no tratamento da depressão maior, especialmente em casos graves, devido à sua eficácia e perfil favorável de tolerabilidade 4, 5
- A escolha entre os ISRS deve considerar o perfil de efeitos adversos, potenciais interações medicamentosas, custo e preferências do paciente 7
- Para pacientes idosos ou com maior risco de interações medicamentosas, o escitalopram apresenta vantagens em relação a outros ISRS como paroxetina e fluoxetina 7, 1