Conduta Oncológica para Adenocarcinoma Gástrico pT1apN0
Para pacientes com adenocarcinoma gástrico pT1apN0 submetidos a cirurgia upfront após estadiamento, a observação clínica sem tratamento adjuvante adicional é a conduta oncológica recomendada.
Justificativa da Conduta
- Para tumores gástricos precoces (T1a) com linfonodos negativos (pN0) que foram completamente ressecados (R0), não há necessidade de tratamento adjuvante adicional 1
- Pacientes com estágio pT1a pN0 têm excelente prognóstico após ressecção cirúrgica adequada, com baixo risco de recorrência 2
- As diretrizes da ESMO (European Society for Medical Oncology) especificam claramente que nenhum tratamento adicional é necessário para pacientes com tumores Tis e T1, N0 quando não há doença residual nas margens cirúrgicas (ressecção R0) 1
Fatores que Influenciam a Decisão
Fatores de Bom Prognóstico
- Ausência de metástases linfonodais (pN0) 2
- Invasão limitada à mucosa (pT1a) 2
- Ressecção completa com margens negativas (R0) 1
Fatores que Poderiam Alterar a Conduta
- Presença de invasão linfovascular 2
- Tumores pouco diferenciados ou de alto grau histológico 1
- Idade inferior a 50 anos 1
- Invasão neural 1
Seguimento Recomendado
- O seguimento deve ser mais rigoroso nos primeiros 3 anos após a cirurgia, período em que ocorre a maioria das recorrências 2, 3
- As recorrências em pacientes com tumores T1-T2N0 ocorrem mais frequentemente entre 6 meses e 3 anos após a cirurgia 2
- O fígado é o local mais comum de recorrência (43% dos casos), seguido pelo peritônio (16%) e linfonodos (10%) 2
Considerações Adicionais
- Em casos selecionados de tumores T1a, a ressecção endoscópica pode ser uma alternativa à cirurgia, especialmente para tumores bem diferenciados, ≤2 cm, confinados à mucosa e não ulcerados 1
- O risco metastático linfonodal para este grupo é virtualmente zero quando adequadamente selecionado 1
- Mesmo após ressecção curativa, é importante manter seguimento adequado, já que aproximadamente 7% dos pacientes com T1-2N0 podem apresentar recorrência 2
Situações Especiais
- Se o tumor apresentar características de alto risco (como invasão linfovascular ou tumores pouco diferenciados), mesmo sendo pT1apN0, pode-se considerar uma discussão multidisciplinar para avaliar o benefício de tratamento adjuvante, embora não seja o padrão recomendado 1
- Para pacientes com margens comprometidas (R1) ou doença residual macroscópica (R2), seria indicada quimiorradioterapia adjuvante baseada em fluoropirimidina, mas este não é o caso do cenário apresentado 1