Escores para Avaliação do Risco de Sangramento em Terapia Antitrombótica
O escore HAS-BLED é o instrumento mais validado e recomendado para avaliar o risco de sangramento em pacientes em terapia antitrombótica, incluindo aqueles em uso de aspirina e clopidogrel. 1
Escore HAS-BLED
O HAS-BLED é uma ferramenta prática que avalia o risco de sangramento maior em pacientes com fibrilação atrial e em terapia antitrombótica, sendo aplicável também para pacientes em uso de antiagregantes plaquetários. 1, 2
Componentes do HAS-BLED:
- H: Hipertensão (pressão arterial não controlada)
- A: Função renal/hepática anormal (1 ponto cada)
- S: AVC (Stroke) prévio
- B: História prévia de sangramento ou predisposição
- L: INR lábil (para pacientes em uso de antagonistas da vitamina K)
- E: Idosos (Elderly) > 65 anos
- D: Drogas/álcool concomitantemente (1 ponto cada)
Interpretação:
- Pontuação ≥ 3 indica alto risco de sangramento 1
- Pacientes com pontuação elevada necessitam de revisões mais frequentes e regulares 1
Importância Clínica do HAS-BLED
- O escore HAS-BLED demonstrou melhor precisão preditiva em comparação com outros escores de risco de sangramento, como o ATRIA 3
- Pacientes em terapia tripla antitrombótica (varfarina, aspirina e clopidogrel) apresentam risco três vezes maior de sangramento em comparação com terapia dupla (aspirina e clopidogrel) 4
- O HAS-BLED deve ser utilizado para identificar fatores de risco modificáveis que precisam ser abordados, não para excluir pacientes da terapia anticoagulante 1
Fatores de Risco Modificáveis para Sangramento
O escore HAS-BLED ajuda a identificar fatores de risco modificáveis que devem ser abordados: 1
- Pressão arterial não controlada
- INR lábil (em pacientes usando antagonistas da vitamina K)
- Uso concomitante de AINEs ou aspirina em paciente anticoagulado
- Consumo excessivo de álcool
- Função renal ou hepática comprometida 1
Aplicação Clínica
- A avaliação do risco de sangramento deve ser realizada em todos os pacientes que recebem terapia antitrombótica (seja com antagonistas da vitamina K, NOACs, aspirina/clopidogrel ou aspirina) 1
- Para pacientes com fibrilação atrial, o risco de sangramento com terapia antiplaquetária (com combinação aspirina-clopidogrel e - especialmente em idosos - também com monoterapia com aspirina) deve ser considerado semelhante à terapia anticoagulante oral 1
- Em pacientes com alto risco de sangramento (HAS-BLED ≥ 3), doses reduzidas de NOACs podem ser consideradas 1
Outros Escores de Risco de Sangramento
Além do HAS-BLED, outros escores foram desenvolvidos para avaliar o risco de sangramento:
- CRUSADE: Desenvolvido para pacientes com infarto do miocárdio sem elevação do segmento ST, mas pode ser estendido para população com STEMI 1
- RIETE: Validado para pacientes com tromboembolismo venoso 5
- VTE-BLEED: Pode ser usado para identificar pacientes com baixo risco de sangramento para anticoagulação prolongada em tromboembolismo venoso 5
Considerações Importantes
- O risco de sangramento é altamente dinâmico, exigindo avaliação em cada contato com o paciente 1
- Uma pontuação HAS-BLED elevada raramente é motivo para evitar anticoagulação, mas indica necessidade de monitoramento mais rigoroso 1
- O risco de sangramento aumenta com o número de agentes antitrombóticos utilizados, sendo significativamente maior na terapia tripla 1
- Pacientes com sangramento prévio podem se beneficiar de anticoagulantes com menor risco hemorrágico 1
A avaliação do risco de sangramento é fundamental para a tomada de decisão clínica em pacientes que necessitam de terapia antitrombótica, permitindo intervenções preventivas e monitoramento adequado.