Processo de Diapedese: Mecanismo de Migração Leucocitária
A diapedese é um processo sequencial de múltiplas etapas pelo qual os leucócitos migram através da parede vascular, ocorrendo principalmente por duas vias: paracelular (entre células endoteliais) e transcelular (através das células endoteliais), sendo ambas essenciais para a resposta imune e inflamatória. 1, 2
Etapas da Diapedese
1. Ativação Endotelial e Captura de Leucócitos
- A inflamação ou infecção provoca liberação de citocinas que ativam o endotélio vascular, convertendo-o de um estado anticoagulante para procoagulante 3
- O endotélio ativado expressa moléculas de adesão como P-selectina e E-selectina na superfície luminal 3
- Estas selectinas interagem com ligantes nos leucócitos, promovendo o rolamento inicial dos leucócitos ao longo da parede vascular 1
2. Rolamento e Adesão Firme
- Durante o rolamento, os leucócitos são expostos a quimiocinas presentes na superfície endotelial 2
- As quimiocinas ativam integrinas leucocitárias (como LFA-1) que se ligam firmemente às moléculas de adesão endoteliais ICAM-1 e VCAM-1 3
- Esta adesão firme estabiliza o leucócito na superfície endotelial, preparando-o para a transmigração 1, 4
3. Rastreamento da Superfície Endotelial
- Após a adesão firme, os leucócitos emitem projeções citoplasmáticas (podossomos) que "palpam" a superfície endotelial em busca de locais favoráveis para transmigração 5
- Estes podossomos são estruturas ricas em actina dependentes da quinase Src e da proteína WASP 5
- O leucócito pode se mover lateralmente na superfície endotelial até encontrar um local adequado para a diapedese 2, 6
4. Transmigração Paracelular
- Na via paracelular, os leucócitos migram através das junções entre células endoteliais adjacentes 1, 2
- Este processo envolve o afrouxamento temporário das junções aderentes (VE-caderina) 3
- A molécula PECAM-1 (CD31) nas bordas laterais das células endoteliais guia o leucócito através da junção intercelular 2, 6
- O compartimento de reciclagem da borda lateral (LBRC) fornece membrana adicional para facilitar a passagem do leucócito 1, 2
5. Transmigração Transcelular
- Na via transcelular, os leucócitos migram diretamente através do corpo da célula endotelial 5, 2
- Os podossomos invasivos dos leucócitos criam depressões na membrana endotelial que eventualmente formam um poro transcelular 5
- Este processo depende de eventos de fusão de membrana mediados por complexos SNARE e cálcio intracelular 5
- Surpreendentemente, muitas das mesmas moléculas que regulam a migração paracelular também controlam a migração transcelular 2, 4
6. Penetração da Membrana Basal
- Após atravessar o endotélio, os leucócitos precisam penetrar a membrana basal subjacente 6
- Esta etapa envolve a secreção de metaloproteinases de matriz (MMPs) que degradam componentes da membrana basal 4
- Os leucócitos seguem gradientes quimiotáticos para migrar para o tecido inflamado 2, 6
Regulação Molecular da Diapedese
- O agrupamento de ICAM-1 e VCAM-1 na superfície apical das células endoteliais gera sinais intracelulares que facilitam a diapedese 1, 2
- A redistribuição de PECAM-1 e outras moléculas do compartimento de reciclagem da borda lateral é essencial para a transmigração eficiente 2
- Moléculas de junção como JAM-A, JAM-C e CD99 atuam em diferentes etapas da transmigração paracelular 6
- A sinalização de cálcio nas células endoteliais coordena a remodelação do citoesqueleto necessária para a diapedese 5, 1
Importância Fisiopatológica
- A diapedese é fundamental tanto para a resposta imune inata quanto adaptativa 1, 4
- Em condições patológicas como sepse, a diapedese excessiva contribui para lesão tecidual e disfunção orgânica 3, 7
- Na sepse, a lesão endotelial facilita a diapedese desregulada, contribuindo para o ciclo de inflamação-coagulação 7
- O recrutamento adequado de leucócitos via diapedese é essencial para a resolução de infecções e cicatrização de feridas 4