Características do Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável
O Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável (TPEI), também conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline, é caracterizado principalmente por instabilidade emocional, relacionamentos interpessoais intensos e instáveis, impulsividade e autoimagem perturbada, sendo a Terapia Comportamental Dialética (DBT) o tratamento psicoterapêutico mais eficaz para reduzir sintomas e comportamentos suicidas.1, 2
Características Principais
Instabilidade emocional: Oscilações rápidas de humor, com períodos breves de depressão, ansiedade e raiva, alternando com períodos de normalidade ou euforia 1, 2
Relacionamentos interpessoais instáveis e intensos: Alternância entre idealização e desvalorização das pessoas, com medo intenso de abandono 1, 3
Impulsividade: Comportamentos autodestrutivos como gastos excessivos, atividade sexual impulsiva, abuso de substâncias e comportamentos de risco 2, 4
Autoimagem perturbada: Sentimentos crônicos de vazio, identidade instável e confusão sobre si mesmo 1, 4
Comportamento suicida: Alto risco de automutilação e tentativas de suicídio, sendo que aproximadamente metade dos jovens com TPEI relatam autoagressão 2, 1
Sintomas dissociativos: Episódios transitórios de despersonalização ou desrealização, especialmente em situações de estresse 1
Raiva intensa: Dificuldade em controlar a raiva, com explosões frequentes e intensas 1, 4
Ideação paranoide transitória: Pensamentos paranoides relacionados ao estresse 1
Epidemiologia e Comorbidades
Prevalência: Entre 0,7% e 2,7% na população adulta geral, aproximadamente 12% em serviços ambulatoriais e 22% em serviços psiquiátricos hospitalares 1, 3
Distribuição por gênero: Significativamente mais prevalente em mulheres (18,2%) do que em homens (7,4%) em ambientes hospitalares 3
Comorbidades: Alta associação com transtornos depressivos, transtornos por uso de substâncias, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, transtorno bipolar e bulimia nervosa 1, 3
Idade: Pacientes com TPEI tendem a ser significativamente mais jovens (média de 32,2 anos) em comparação com outros pacientes psiquiátricos internados (média de 46 anos) 3
Etiologia
Fatores genéticos e ambientais: Evidências convincentes sugerem que a interação entre fatores genéticos e experiências adversas na infância desempenha um papel central na etiologia do TPEI 1
Teoria biossocial: Os comportamentos suicidas são considerados soluções mal adaptativas para emoções negativas dolorosas, mas também têm qualidades reguladoras de afeto e provocam ajuda de outras pessoas 2
Trauma infantil: Histórico de abuso sexual é significativamente mais relatado por mulheres (68,4%) do que por homens (53,0%) com TPEI 3
Opções de Tratamento
Psicoterapia (Primeira Linha)
Terapia Comportamental Dialética (DBT): É o único tipo de psicoterapia que demonstrou, em ensaio clínico randomizado, reduzir a suicidalidade em adultos com transtorno de personalidade borderline. 2
- Componentes principais:
- Módulo de Habilidades de Mindfulness para diminuir a confusão de identidade e a desregulação 2
- Módulo de Eficácia Interpessoal para resolução de problemas e assertividade 2
- Módulo de Tolerância ao Sofrimento para reduzir a impulsividade 2
- Módulo de Regulação Emocional para identificar emoções e reduzir a vulnerabilidade emocional 2
- Componentes principais:
DBT para Adolescentes (DBT-A):
Terapia Interpessoal (IPT):
Outras abordagens psicoterapêuticas:
Farmacoterapia (Adjuvante)
Evidência limitada: Nenhuma medicação demonstrou consistentemente eficácia para as características centrais do TPEI 1, 5
Abordagem por clusters de sintomas:
- Antipsicóticos: Efeito modesto, mas amplo em todos os domínios de sintomas; doses menores que as usadas para esquizofrenia 5, 3
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS): Eficazes no tratamento de sintomas de humor e impulsividade 5, 4
- Estabilizadores de humor: Possível efeito na diminuição da raiva e sintomas suicidas 5, 4
- Polifarmácia: Comum na prática clínica, com 87,5% dos pacientes utilizando múltiplos medicamentos 3
Considerações Especiais
Avaliação de risco: Fundamental devido ao alto risco de autoagressão e suicídio 2
Tratamento ao longo da vida: Algumas características centrais do TPEI, incluindo dificuldades interpessoais, afeto instável e raiva, permanecem relativamente inalteradas, enquanto impulsividade e distúrbios de identidade diminuem ou mudam seu modo de expressão na vida tardia 4
Abordagem em ambientes de cuidados: Em ambientes residenciais, a equipe precisa estabelecer limites apropriados para comportamentos problemáticos, mantendo empatia e validando o afeto doloroso que os pacientes frequentemente experimentam 4
Estigma: O termo "Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável" ou "Borderline" é considerado inadequado, estigmatizante e simplista demais para refletir a natureza, gravidade e psicopatologia desta síndrome 3