Perfil de Segurança da Agomelatina em Pacientes em Diálise Peritoneal
Não existem dados específicos sobre o uso de agomelatina em pacientes em diálise peritoneal, portanto seu uso deve ser considerado com extrema cautela devido aos potenciais riscos para a função renal residual, que é crucial para o prognóstico destes pacientes.
Considerações Gerais sobre Medicamentos em Diálise Peritoneal
- A diálise peritoneal (DP) representa uma modalidade de tratamento aceita para doença renal terminal, sendo que a administração adequada de medicamentos nestes pacientes requer considerações farmacológicas específicas 1
- Pacientes em diálise peritoneal apresentam risco aumentado de problemas relacionados a medicamentos devido à polifarmácia, múltiplas condições crônicas e farmacocinética/farmacodinâmica alteradas inerentes à insuficiência renal 2
- A reconciliação medicamentosa é fundamental para a segurança do paciente em diálise, sendo essencial para minimizar problemas relacionados a medicamentos que são uma causa importante de morbidade e mortalidade 2
Agomelatina e Função Renal
- A agomelatina é um antidepressivo relativamente novo que atua como agonista sintético da melatonina e apresenta efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios documentados 3
- Estudos em modelos animais sugerem que a agomelatina pode ter efeitos renoprotetores em condições de resistência à insulina, melhorando parâmetros metabólicos, função renal e atenuando o estresse oxidativo renal 3
- Entretanto, não existem estudos específicos sobre o uso de agomelatina em pacientes em diálise peritoneal, o que representa uma lacuna significativa na literatura 4
Considerações sobre Medicamentos Psicotrópicos em Diálise
- As diretrizes KDIGO indicam que não existem ensaios clínicos randomizados controlados que abordem o uso de ISRS em pacientes em diálise peritoneal, e as evidências para o manejo farmacológico da ansiedade em populações com insuficiência renal são escassas 4
- Para o manejo da depressão em pacientes em diálise, abordagens não farmacológicas como exercícios aeróbicos demonstraram evidências de qualidade moderada para diminuir sintomas depressivos 4
- Se o tratamento farmacológico for necessário, recomenda-se cautela ao prescrever medicamentos psicotrópicos devido ao seu perfil de efeitos adversos em pacientes com insuficiência renal 4
Recomendações para Monitoramento
- É fundamental monitorar a função renal residual durante o tratamento com qualquer medicação, pois a preservação desta função é crucial para os resultados dos pacientes em diálise peritoneal 4
- Se a função renal residual diminuir durante o tratamento, deve-se reavaliar o regime medicamentoso e potencialmente ajustar a dose 4
- Monitorar o prolongamento do intervalo QT e outros efeitos cardíacos é particularmente importante em pacientes em diálise que frequentemente apresentam múltiplas comorbidades 4
Princípios Gerais para Medicamentos em Diálise Peritoneal
- A quantidade de medicamentos removida durante a diálise peritoneal é substancialmente menor do que durante a hemodiálise, portanto, a administração suplementar de medicamentos geralmente não é necessária em pacientes em DPAC (Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua) 5
- Como a DPAC é um procedimento contínuo, a remoção cumulativa de medicamentos excretáveis por via renal é maior em pacientes em DPAC do que em pacientes em hemodiálise entre as sessões 5
- Um regime posológico apropriado, baseado na depuração do medicamento, deve ser determinado, pois a depuração é aumentada em pacientes recebendo diálise peritoneal automatizada em comparação com aqueles recebendo DPAC, e também naqueles com débito urinário em comparação com pacientes anúricos 5
Conclusões e Recomendações Práticas
- Devido à falta de estudos específicos sobre agomelatina em diálise peritoneal, recomenda-se extrema cautela ao considerar seu uso nesta população 4, 5
- Considerar alternativas não farmacológicas para o tratamento da depressão em pacientes em diálise peritoneal antes de iniciar tratamento com agomelatina 4
- Se o uso de agomelatina for considerado necessário, iniciar com doses baixas e monitorar cuidadosamente a função renal residual e efeitos adversos potenciais 4, 5
- A reconciliação medicamentosa regular é essencial para garantir a segurança do paciente e minimizar interações medicamentosas potenciais 2