Tratamento Paliativo para Câncer de Cólon: Importância da Lateralidade, Família RAS e Deficiência de Proteínas de Reparo
O tratamento paliativo de primeira linha para câncer de cólon deve ser personalizado com base na estratificação do paciente, considerando a lateralidade do tumor, status de RAS e deficiência de proteínas de reparo, sendo que pacientes com MSI-H/dMMR podem se beneficiar de inibidores de checkpoint PD-1 como terapia de primeira linha. 1
Estratificação dos Pacientes para Tratamento de Primeira Linha
A abordagem terapêutica paliativa para câncer de cólon deve considerar vários fatores para a escolha do tratamento mais adequado:
- Os pacientes podem ser divididos em grupos clínicos com base em parâmetros como localização, extensão e ressecabilidade da doença, dinâmica tumoral, comorbidades e potencial do paciente para tolerar quimioterapia 1
- A estratificação adequada permite definir a intensidade do tratamento e as metas terapêuticas para cada paciente 1
Grupos de Tratamento
Os pacientes com câncer de cólon metastático podem ser classificados em quatro grupos principais:
- Grupo 0: Metástases hepáticas ou pulmonares ressecáveis R0 1
- Grupo 1: Metástases hepáticas ou pulmonares potencialmente ressecáveis após quimioterapia 1
- Grupo 2: Tratamento paliativo intermediário, onde a meta é regressão rápida e confiável das metástases 1
- Grupo 3: Tratamento não intensivo/sequencial, onde a meta é prevenção da progressão tumoral com mínima carga de tratamento 1
Importância da Lateralidade do Tumor
A lateralidade do tumor (direito vs. esquerdo) tem impacto significativo no prognóstico e na resposta ao tratamento:
- Tumores do lado direito têm características moleculares significativamente diferentes e geralmente estão associados a pior prognóstico 2
- A localização do tumor é um fator prognóstico e preditivo para o resultado clínico, influenciando a escolha da terapia alvo 2
Papel da Família RAS
O status mutacional da família RAS é um fator determinante na escolha do tratamento:
- Anticorpos anti-EGFR (cetuximab e panitumumab) demonstraram eficácia apenas em tumores sem mutações nos éxons 2,3 e 4 de KRAS e NRAS 2
- A avaliação do status de RAS é essencial antes de iniciar terapias direcionadas 2
Deficiência das Proteínas de Reparo (dMMR/MSI-H)
A deficiência de proteínas de reparo de DNA tem implicações terapêuticas importantes:
- Pacientes com tumores MSI-H/dMMR podem considerar o uso de inibidores de checkpoint PD-1 para terapia de conversão ou tratamento paliativo 1
- Este subgrupo molecular apresenta resposta diferenciada às terapias convencionais e imunoterapia 1
Esquemas de Tratamento Paliativo de Primeira Linha
Quimioterapia Baseada em Fluoropirimidinas
- A quimioterapia paliativa de primeira linha deve ser iniciada precocemente e consiste em 5-fluorouracil (5-FU) em várias combinações e esquemas 1
- Esquemas frequentemente utilizados incluem 5-FU (425 mg/m²) + leucovorina em baixa dose (20 mg/m²) dias 1-5, a cada 4 semanas 1
- Infusões contínuas de 5-FU intravenoso ou capecitabina oral são opções com eficácia comparável à combinação 5-FU/leucovorina 1
Combinações com Outros Agentes
- A adição de oxaliplatina à combinação 5-FU/leucovorina aumenta a toxicidade e a taxa de resposta, com aumento da sobrevida livre de progressão em cerca de 3 meses 1
- A adição de irinotecano à combinação 5-FU/leucovorina também aumenta a toxicidade e a taxa de resposta, com atraso de 2 meses na progressão da doença e melhora significativa de 3 meses na sobrevida global 1
- Para pacientes com potencial de ressecabilidade após conversão, recomenda-se um regime de quimioterapia com alta taxa de resposta ou uma combinação de quimioterapia e terapia alvo 1
Terapias Direcionadas
- Anticorpos anti-VEGF-A (bevacizumabe) podem ser combinados com quimioterapia para melhorar o prognóstico 1
- Anticorpos anti-EGFR (cetuximab e panitumumab) são eficazes apenas em tumores sem mutações em KRAS e NRAS 2
- A combinação de dois medicamentos direcionados não é recomendada 1
Algoritmo de Decisão para Tratamento Paliativo
Avaliação inicial:
- Determinar ressecabilidade das metástases
- Avaliar status de performance do paciente
- Identificar presença de sintomas ou complicações iminentes
- Determinar lateralidade do tumor
- Testar status mutacional de RAS e status de MSI/dMMR 1
Seleção do tratamento:
Intensidade do tratamento:
Pontos de Atenção e Armadilhas
- A avaliação do status molecular (RAS, BRAF, MSI) deve ser realizada antes do início do tratamento para orientar a escolha terapêutica 2
- O tratamento deve ser reavaliado a cada 2 meses para verificar resposta e ajustar a estratégia conforme necessário 1
- Se bevacizumabe for utilizado, a última dose deve ser administrada pelo menos 6 semanas antes da cirurgia, caso esta seja considerada 1
- A quimioterapia intra-arterial hepática com floxuridina (FUDR) é uma opção para metástases hepáticas inoperáveis, mas seu valor em comparação com o melhor tratamento sistêmico não foi estabelecido 1
A abordagem multidisciplinar é fundamental para o desenvolvimento da estratégia terapêutica ideal, considerando as características do paciente e incorporando sua perspectiva no processo de decisão 1.