Prevalência de Sintomas Psicóticos na Doença de Alzheimer ao Longo do Curso da Doença
Os sintomas psicóticos ocorrem em aproximadamente 40-50% dos pacientes com doença de Alzheimer e aumentam em frequência à medida que a doença progride. 1, 2
Prevalência e Manifestações Clínicas
- Os sintomas psicóticos são menos comuns que a agitação, mas aumentam em frequência conforme a progressão da doença de Alzheimer 3
- Estudos mostram que entre 35,5% e 50% dos pacientes com Alzheimer desenvolvem algum tipo de sintoma psicótico durante o curso da doença 4, 5
- Em uma análise detalhada, aproximadamente 22,9% dos pacientes desenvolvem apenas delírios, 8% desenvolvem apenas alucinações, e 18,9% desenvolvem ambos os sintomas 1
- As alucinações são o sintoma psicótico mais comum (24,4%), seguidas por delírios (18,3%) e percepções errôneas (11,1%) 4
- As alucinações visuais são mais frequentes que as auditivas, e entre os delírios, os temas persecutórios e de roubo são predominantes 4
Fatores Associados e Progressão
- A presença de sintomas psicóticos está correlacionada com a gravidade do comprometimento cognitivo e a idade do paciente na primeira avaliação 4
- Os sintomas psicóticos indicam um fenótipo mais grave da doença, com declínio cognitivo mais rápido, começando mesmo antes do início da psicose 2
- Estudos de acompanhamento demonstram a associação entre a presença de sintomas psicóticos e uma curva mais acentuada de deterioração cognitiva 4
- Pacientes com comprometimento cognitivo leve (MCI) apresentam sintomas neuropsiquiátricos em 35% a 85% dos casos, incluindo depressão, irritabilidade, apatia, ansiedade, agitação e problemas de sono 3
Impacto Clínico e Funcional
- Delírios e alucinações, tanto isoladamente quanto em combinação, estão associados a piores resultados clínicos 1
- A presença de ambos os sintomas (delírios e alucinações) está associada a resultados piores do que apenas um desses sintomas 1
- Os delírios, isoladamente e em combinação com alucinações, são preditores de institucionalização 1
- Os sintomas psicóticos estão associados a maior gravidade da demência, pior cognição e função, níveis mais elevados de outros sintomas neuropsiquiátricos e maior sobrecarga do cuidador 1
- Problemas comportamentais, incluindo sintomas psicóticos, são uma das principais causas de sofrimento do cuidador e um dos principais determinantes da institucionalização 3
Avaliação e Monitoramento
- Pacientes com doença de Alzheimer devem ser avaliados periodicamente quanto a problemas comportamentais, sintomas psicóticos e depressão 3
- A reavaliação a cada seis meses é necessária porque novos comportamentos surgem ao longo do curso da doença de Alzheimer 3
- O Questionário de Inventário Neuropsiquiátrico (NPI-Q) é um instrumento de administração rápida que fornece uma avaliação confiável dos comportamentos comumente observados em pacientes com demência 3
- É essencial avaliar o paciente quanto à toxicidade medicamentosa e problemas médicos, psiquiátricos, psicossociais ou ambientais que possam estar subjacentes às mudanças comportamentais 3
Considerações sobre o Tratamento
- O plano de cuidados deve incluir intervenções não farmacológicas potencialmente úteis e precauções adequadas para reduzir o risco de danos ao paciente e a terceiros 3
- O uso de medicação antipsicótica é um preditor de mortalidade, destacando os desafios no manejo desses pacientes 1
- O tratamento deve visar minimizar a incapacidade excessiva associada a distúrbios comportamentais ou de humor tratáveis e reduzir o risco de institucionalização 3
Os sintomas psicóticos na doença de Alzheimer representam um desafio significativo para o manejo clínico, com impacto substancial na qualidade de vida tanto dos pacientes quanto dos cuidadores, exigindo monitoramento regular e intervenções apropriadas ao longo da progressão da doença.