Olanzapina e Prolongamento do QT
A olanzapina causa prolongamento mínimo do intervalo QT (aproximadamente 2 ms), sendo considerada um antipsicótico de baixo risco cardiovascular, embora estudos recentes sugiram que pode estar associada a prolongamento clinicamente significativo em alguns pacientes.
Evidência da Bula da FDA
A bula oficial da olanzapina da FDA é clara e tranquilizadora 1:
- Não houve diferenças significativas entre olanzapina e placebo nas proporções de pacientes com alterações potencialmente importantes nos parâmetros do ECG, incluindo intervalos QT, QTc (corrigido por Fridericia) e PR 1
- Esta evidência vem de estudos agrupados em adultos e adolescentes 1
- A olanzapina foi associada a aumento da frequência cardíaca em comparação ao placebo (adultos: +2,4 bpm; adolescentes: +6,3 bpm), relacionado ao potencial de induzir alterações ortostáticas 1
Classificação de Risco Baseada em Diretrizes
As diretrizes cardiológicas classificam a olanzapina como antipsicótico de risco muito baixo 2, 3:
- Prolongamento médio do QTc: 2 ms 2, 3
- Este é o segundo menor prolongamento entre todos os antipsicóticos, perdendo apenas para aripiprazol (0 ms) 2, 3
Para contexto comparativo 2, 3:
- Risperidona: 0-5 ms
- Quetiapina: 6 ms
- Haloperidol: 7 ms
- Clozapina: 8-10 ms
- Ziprasidona: 5-22 ms
- Tioridazina: 25-30 ms (com alerta de caixa preta da FDA)
Evidência de Pesquisa Recente Conflitante
Estudos mais recentes sugerem risco maior do que previamente reconhecido:
Um estudo de coorte retrospectivo de 2025 com 5.130 pacientes encontrou que olanzapina estava associada a risco aumentado de prolongamento do QTc (HR 1,40; IC 95%: 1,02-1,94) 4. Este estudo recomenda monitoramento regular com ECG ao prescrever olanzapina 4.
Um estudo colombiano de 2024 mostrou que 15,38% dos pacientes em uso de olanzapina desenvolveram prolongamento do QTc, sendo o segundo antipsicótico mais associado a este efeito, perdendo apenas para clozapina (20,59%) 5.
Contudo, um estudo de 2024 em pacientes críticos não encontrou diferença estatística entre olanzapina e quetiapina no prolongamento do QTc 6, e um estudo mais antigo de 2001 com 2.700 pacientes concluiu que olanzapina não contribui para prolongamento do QTc resultando em arritmias ventriculares potencialmente fatais 7.
Reconhecimento em Diretrizes de Interações Medicamentosas
A olanzapina é listada entre medicamentos que podem prolongar o QTc quando usados em combinação com outros agentes 2. As diretrizes do American College of Cardiology de 2017 recomendam identificar interações medicamentosas que prolongam o intervalo QTc, incluindo especificamente olanzapina 2.
Recomendações Práticas de Monitoramento
Para pacientes em uso de olanzapina, especialmente com fatores de risco:
ECG Basal e Seguimento
- Obter ECG basal antes de iniciar qualquer terapia antipsicótica 2, 3
- Repetir ECG 7 dias após início da terapia e após qualquer mudança de dose 2
- Monitoramento periódico do intervalo QTc em pacientes recebendo agentes que prolongam o QT 2
Correção de Anormalidades Eletrolíticas
- Corrigir hipocalemia e hipomagnesemia antes de iniciar tratamento 2
- Monitorar eletrólitos, particularmente níveis de potássio 3
Critérios para Descontinuação
- Interromper tratamento se QTc > 500 ms no monitoramento 2
- Considerar ajuste de medicação se QTc exceder 500 ms ou aumentar > 60 ms em relação ao basal 3
Fatores de Risco que Aumentam Preocupação
Situações de alto risco que requerem monitoramento intensificado 3:
- Sexo feminino e idade > 65 anos
- QTc basal prolongado (> 500 ms)
- Anormalidades eletrolíticas (especialmente hipocalemia e hipomagnesemia)
- História de morte súbita cardíaca prévia
- Uso concomitante de outros medicamentos que prolongam o QTc (domperidona, ondansetrona, palosetrona, granisetrona, proclorperazina, escitalopram, venlafaxina, sertralina, mirtazapina) 2, 8
- Doença cardiovascular pré-existente
Armadilhas Comuns
Interações medicamentosas múltiplas: O uso de múltiplos medicamentos que prolongam o QTc aumenta significativamente o risco 3. Revisar cuidadosamente todos os medicamentos concomitantes, incluindo antieméticos e antidepressivos 2.
Diferenças de sexo: Mulheres apresentam risco maior de prolongamento do QTc e torsades de pointes com antipsicóticos 3.
Monitoramento além do ECG: Avaliação regular de eletrólitos, especialmente potássio e magnésio, é essencial 3.
Alternativas Mais Seguras
Se o prolongamento do QTc é preocupação primária: