Reconstituição, Diluição e Velocidade de Infusão de Imunoglobulina Humana para Síndrome de Guillain-Barré
Dose e Protocolo Padrão
Para um paciente de 50 kg com síndrome de Guillain-Barré, administre imunoglobulina intravenosa (IgIV) na dose de 0,4 g/kg/dia por 5 dias consecutivos, totalizando 2 g/kg (20 g por dia para este paciente, ou seja, 4 frascos de 5g diariamente). 1, 2
Reconstituição e Diluição
- Cada frasco de 5g deve ser reconstituído conforme as instruções específicas do fabricante, pois diferentes produtos de imunoglobulina têm requisitos distintos de reconstituição 1
- A maioria dos produtos vem pronta para uso ou requer diluição em solução salina 0,9% ou dextrose 5%, dependendo da formulação específica 2
- Para este paciente de 50 kg: dose diária = 20g (4 frascos de 5g) 1, 2
Velocidade de Infusão
A infusão deve ser iniciada lentamente e aumentada gradualmente conforme tolerância do paciente: 3
- Iniciar a 0,5-1,0 mL/kg/hora nas primeiras 30 minutos 1
- Se bem tolerado, aumentar progressivamente até a velocidade máxima recomendada pelo fabricante (geralmente 3-4 mL/kg/hora) 1
- A infusão completa da dose diária geralmente leva 4-6 horas 2
- Para 20g diários em um paciente de 50 kg, isso representa aproximadamente 400-600 mL de volume total, dependendo da concentração do produto 1
Critérios para Início do Tratamento
Inicie IgIV imediatamente se o paciente apresentar: 2
- Incapacidade de deambular independentemente (escore de incapacidade GBS ≥3) 1, 2
- Fraqueza moderada a grave, especialmente com progressão rápida 3
- Qualquer sinal de comprometimento respiratório, disfagia, fraqueza facial ou fraqueza bulbar 3
Monitorização Durante a Infusão
Monitorize rigorosamente durante e após cada infusão: 3
- Função respiratória: capacidade vital, pressão inspiratória negativa, uso de músculos acessórios 1
- Função neurológica: força motora, reflexos, sintomas bulbares 3
- Disfunção autonômica: arritmias cardíacas, flutuações de pressão arterial 2
- Reações adversas à infusão: cefaleia, febre, calafrios, reações anafiláticas 1
Medicações a Evitar
Evite absolutamente durante o tratamento: 3, 2
- β-bloqueadores
- Magnésio intravenoso
- Fluoroquinolonas
- Aminoglicosídeos
- Macrolídeos
Estes medicamentos podem piorar a função neuromuscular e agravar o quadro clínico. 3, 2
Considerações Importantes sobre Segunda Dose
Não administre rotineiramente uma segunda dose de IgIV (adicional de 2 g/kg) mesmo em pacientes com prognóstico ruim, pois estudos recentes demonstram que não há benefício e há aumento significativo de eventos adversos graves, incluindo eventos tromboembólicos 4. Aproximadamente 40% dos pacientes não melhoram nas primeiras 4 semanas, mas isso não indica necessariamente falha terapêutica 1.
Considere repetir o curso completo de IgIV apenas se: 1, 2
- Flutuações relacionadas ao tratamento (deterioração dentro de 2 meses após melhora inicial) ocorrem em 6-10% dos pacientes 1, 2
- Três ou mais flutuações sugerem polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória crônica (CIDP) ao invés de GBS, requerendo abordagem diferente 2
Ambiente de Tratamento
Admita o paciente em unidade hospitalar com capacidade de transferência rápida para UTI, pois o comprometimento respiratório pode ocorrer mesmo durante o tratamento 3, 2. A regra "20/30/40" indica risco de falência respiratória: capacidade vital <20 mL/kg, pressão inspiratória máxima <30 cmH₂O, ou pressão expiratória máxima <40 cmH₂O 1.
Corticosteroides
Não utilize corticosteroides isoladamente, pois ensaios clínicos randomizados demonstram ausência de benefício significativo e possíveis efeitos negativos 1, 2. Em casos relacionados a inibidores de checkpoint imunológico, pode-se considerar metilprednisolona 2-4 mg/kg/dia em combinação com IgIV, mas esta não é a situação clínica padrão 3.