Por que a Lidocaína Não é Primeira Escolha em Arritmias com QT Prolongado
A lidocaína não deve ser usada como primeira escolha em pacientes com QT prolongado porque, embora bloqueie canais de sódio, ela não é eficaz para torsades de pointes associada ao QT longo e pode causar depressão miocárdica e circulatória, sendo o magnésio intravenoso a terapia de primeira linha recomendada. 1
Mecanismo e Limitações da Lidocaína
A lidocaína bloqueia canais de sódio e reduz a automaticidade ventricular, mas apresenta limitações críticas no contexto de QT prolongado:
- Ineficácia para torsades de pointes: O magnésio IV é especificamente eficaz para terminar torsades de pointes quando há QT prolongado, enquanto a lidocaína não demonstra essa eficácia 1
- Toxicidade em baixo débito: A lidocaína causa depressão miocárdica e circulatória, sonolência, desorientação, tremores musculares e convulsões, especialmente em pacientes com baixo débito cardíaco 2
- Contraindicação em toxicidade digitálica: Diretrizes classificam o manejo com lidocaína como Classe III (não recomendado) para pacientes com toxicidade digitálica grave que apresentam arritmias ventriculares sustentadas 2
Tratamento de Primeira Linha: Magnésio IV
O magnésio intravenoso é a terapia farmacológica inicial mandatória para torsades de pointes com QT prolongado:
- Dose recomendada: 1-2g IV/IO diluído em 10mL de D5W 1
- Classificação: Classe IIa, Nível de Evidência B pelo American College of Cardiology 1
- Mecanismo: Facilita especificamente a terminação de torsades de pointes quando há QT prolongado 1
Algoritmo de Tratamento para QT Prolongado
Medidas Imediatas (Classe I)
- Suspensão de drogas: Remover imediatamente qualquer agente que prolongue QT (Nível de Evidência A) 2, 1
- Desfibrilação: Se houver instabilidade hemodinâmica 1
- Correção eletrolítica: Potássio para 4,5-5 mEq/L (Classe IIb, Nível de Evidência C) 1
Terapia de Segunda Linha
- Marca-passo ou isoproterenol: Para torsades de pointes recorrente (Classe IIa, Nível de Evidência B) 1
- Mecanismo: Aumentam a frequência cardíaca e encurtam o QT, prevenindo as pausas que precipitam torsades 1
Contextos Específicos Onde Lidocaína Pode Ser Considerada
Síndrome do QT Longo Tipo 3 (LQT3)
A lidocaína tem papel limitado mas específico:
- Uso crônico IV: Apenas em LQT3 maligna refratária a terapias padrão, como "ponte para transplante" 3
- Mexiletina oral: Análogo da lidocaína pode ser considerado como segunda escolha especificamente para LQT3, pois encurta o QTc 2, 1
- Mecanismo: Bloqueia preferencialmente corrente tardia sobre corrente de pico, estabilizando inativação dos canais mutantes 4
Sobredose de Dofetilida
- Em casos de prolongamento de QT induzido por drogas durante parada cardíaca, lidocaína pode ser preferível à amiodarona para evitar prolongamento aditivo do QT 5
Armadilhas Comuns a Evitar
Drogas absolutamente contraindicadas em QT prolongado:
- Procainamida, amiodarone, sotalol - todos prolongam QT adicionalmente 1, 6
- Antiarrítmicos devem ser evitados no tratamento agudo 6
Distinção crítica:
- Magnésio não é eficaz para taquicardia ventricular polimórfica com QT normal 1
- A lidocaína não tem papel no tratamento agudo de torsades de pointes com QT prolongado 1
Terapia Crônica
Para manejo de longo prazo da síndrome do QT longo congênita: