Interação entre Moxofloxacino e Levetiracetam
Não existe interação clinicamente significativa entre moxofloxacino e levetiracetam, tornando esta uma combinação segura para uso concomitante.
Perfil Farmacológico que Explica a Ausência de Interação
Características do Levetiracetam
- O levetiracetam não é metabolizado pelo sistema citocromo P450 hepático, não induz seu próprio metabolismo e não possui interações medicamentosas clinicamente relevantes 1
- Possui ligação mínima às proteínas plasmáticas e farmacocinética linear, o que reduz drasticamente o potencial de interações 1
- É considerado um antiepiléptico mais seguro devido à sua baixa interação com citocromos, ao contrário de carbamazepina, oxcarbazepina, fenobarbital e fenitoína 2
Características do Moxofloxacino
- As interações documentadas do moxofloxacino envolvem principalmente medicamentos que prolongam o intervalo QT (antiarrítmicos, antipsicóticos, antidepressivos tricíclicos) 2
- Interage com antiácidos, ferro e zinco (redução de absorção), AINEs e teofilina (risco de convulsões) 2
- Não há menção de interação com levetiracetam em nenhuma das diretrizes farmacológicas revisadas 2
Evidência de Segurança Cardiovascular
Perfil do Levetiracetam
- Um estudo randomizado, controlado por placebo e moxofloxacino demonstrou que levetiracetam (mesmo em doses de 5000 mg) não prolonga significativamente o intervalo QTc 3
- O limite superior do IC 95% para prolongamento máximo do QTc foi de apenas 8,0-8,1 milissegundos com levetiracetam, comparado a 7 milissegundos com moxofloxacino 3
- Não houve relação estatisticamente significativa entre concentração plasmática de levetiracetam e alterações no QTc 3
Perfil do Moxofloxacino
- Moxofloxacino causa prolongamento do QTc, especialmente em pacientes com hipocalemia, condições pró-arrítmicas ou uso concomitante de outros medicamentos que prolongam o QT 2
- O estudo demonstrou prolongamento significativo do QTc com moxofloxacino, com relação linear entre concentração plasmática e alterações no QTc 3
Recomendações Práticas para Uso Concomitante
Quando Esta Combinação é Apropriada
- Pacientes com tumores cerebrais que necessitam anticonvulsivante e antibioticoterapia: levetiracetam é preferido por não interagir com terapias-alvo ou imunoterapia 2
- Pacientes em terapia com CAR-T que desenvolvem infecções e já estão em profilaxia anticonvulsivante com levetiracetam 2
- Situações onde se necessita evitar interações medicamentosas complexas 1, 4
Monitoramento Necessário
- Monitorar sinais vitais continuamente, especialmente pressão arterial e estado respiratório, independentemente da via de administração 2
- Realizar ECG basal e monitoramento cardíaco se o paciente tiver fatores de risco para prolongamento do QT (hipocalemia, cardiopatia prévia, uso de outros medicamentos que prolongam QT) 2
- Corrigir hipocalemia antes de iniciar moxofloxacino para minimizar risco de arritmias ventriculares 2
Precauções Específicas com Moxofloxacino
- Evitar uso concomitante com outros medicamentos que prolongam QT (antiarrítmicos classe IA e III, antidepressivos tricíclicos, antipsicóticos, macrólidos) 2
- Administrar moxofloxacino separado de antiácidos, ferro ou zinco para evitar redução de absorção 2
- Ter cautela em pacientes com distúrbios do SNC devido ao risco aumentado de convulsões com fluoroquinolonas 2
Vantagens Desta Combinação
- Levetiracetam mantém eficácia anticonvulsivante sem comprometer a ação antibacteriana do moxofloxacino 1, 4
- Ausência de necessidade de ajuste de dose de qualquer medicamento devido à interação 1
- Perfil de segurança favorável de levetiracetam com efeitos adversos geralmente leves a moderados 4
- Levetiracetam pode ser usado em populações especiais (idosos, pediátricos, insuficiência renal) com ajustes apropriados, sem afetar o uso de moxofloxacino 5