Alternância de Ibuprofeno e Dipirona para Febre em Criança de 5 Anos
Não é recomendado alternar ibuprofeno com dipirona para controle de febre em crianças de 5 anos, pois não há evidência de benefício superior e existe risco aumentado de erros de dosagem e toxicidade.
Monoterapia como Primeira Linha
A Academia Americana de Pediatria estabelece que o objetivo primário do tratamento da febre deve ser melhorar o conforto geral da criança, não normalizar a temperatura corporal 1. A febre é um mecanismo fisiológico benéfico no combate a infecções e não causa complicações neurológicas a longo prazo 1.
Opções de Monoterapia Recomendadas
Paracetamol (acetaminofeno):
- Dose: 10-15 mg/kg a cada 4-6 horas, não excedendo 5 doses em 24 horas 2
- Considerado primeira linha pela Academia Americana de Pediatria devido ao perfil de segurança relativo 2
- Perfil de segurança superior aos AINEs em relação a efeitos gastrointestinais e cardiovasculares 2
Ibuprofeno:
- Dose: 10 mg/kg a cada 6-8 horas 3
- Demonstra eficácia antipirética superior, especialmente em infecções bacterianas 3
- Ação mais prolongada (6-8 horas vs 4 horas do paracetamol), resultando em temperatura média 0,58°C mais baixa após 6 horas 4
- Perfil de segurança comparável ao paracetamol quando usado adequadamente 5
Evidência Sobre Dipirona (Metamizol)
Uma meta-análise recente de 2024 demonstrou que dipirona oral e ibuprofeno oral têm eficácia antipirética equivalente em crianças febris, sem diferença significativa (diferença média = 0,06; IC 95%: -0,08,0,20) 6. Entretanto, a dipirona está associada a agranulocitose fatal e foi banida em muitos países de alta renda 7, 6.
Por Que Não Alternar Medicamentos
Riscos da terapia combinada ou alternada:
- Maior complexidade no esquema terapêutico aumenta o risco de erros de dosagem 1
- Preocupações sobre uso inseguro dos medicamentos quando combinados 1
- Rastreamento meticuloso de doses é essencial para prevenir superdosagem 3
- Não há evidência robusta de que a alternância seja superior à monoterapia adequada
Toxicidade específica:
- Paracetamol: hepatotoxicidade pode ocorrer com doses únicas >150 mg/kg ou exposição crônica >140 mg/kg/dia 3
- Ibuprofeno: risco de insuficiência respiratória, acidose metabólica e insuficiência renal em superdosagem 2
- Dipirona: associação com agranulocitose 7
Abordagem Prática Recomendada
Escolha um único agente antipirético:
- Inicie com paracetamol 10-15 mg/kg a cada 4-6 horas 2
- Se resposta inadequada ou febre persistente, considere trocar (não adicionar) para ibuprofeno 10 mg/kg a cada 6-8 horas 3
- Ibuprofeno pode ser preferível pela ação mais prolongada e maior eficácia antipirética 4, 5
Orientações aos pais:
- Enfatizar o bem-estar geral da criança, não a normalização da temperatura 1
- Monitorar sinais de doença grave 1
- Encorajar ingestão adequada de líquidos 8
- Armazenamento seguro dos antipiréticos 1
- Métodos de resfriamento físico não são recomendados pois causam desconforto sem benefício comprovado 3
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não administrar antipiréticos quando há febre mínima ou ausente 1
- Antipiréticos não previnem convulsões febris nem reduzem risco de recorrência 9, 2
- Evitar aspirina em crianças menores de 16 anos devido ao risco de síndrome de Reye 8
- Não usar múltiplos produtos contendo o mesmo princípio ativo simultaneamente 2