Tratamento da Febre em Crianças
O paracetamol (acetaminofeno) é o medicamento de primeira linha para o tratamento da febre em crianças, com o objetivo principal de promover o conforto da criança, não de normalizar a temperatura corporal. 1, 2, 3
Princípios Fundamentais do Manejo da Febre
- A febre não é a doença primária, mas sim um mecanismo fisiológico benéfico no combate à infecção. 3
- Não há evidência de que a febre por si só piore o curso da doença ou cause complicações neurológicas a longo prazo. 3
- O objetivo do tratamento deve ser melhorar o conforto geral da criança, não focar na normalização da temperatura. 1, 3
- Tratar "o número no termômetro" ao invés dos sintomas da criança é um erro comum que deve ser evitado. 1
Escolha do Antipirético
Primeira Linha: Paracetamol (Acetaminofeno)
- O paracetamol é o antipirético preferido, especialmente em crianças, devido ao seu perfil de segurança estabelecido ao longo de 40 anos de uso. 1, 2, 4, 5
- Dose recomendada: 10-15 mg/kg a cada 4-6 horas, com máximo de 60 mg/kg/dia. 5
- No Reino Unido: 10 mg/kg a cada 4 horas, até 4 doses por dia; na Austrália: 15 mg/kg a cada 4 horas. 5
Segunda Linha: Ibuprofeno
- O ibuprofeno (5-10 mg/kg) é mais eficaz que o paracetamol (10-15 mg/kg) na redução da temperatura às 2,4 e 6 horas após o tratamento. 6, 7
- Em crianças menores de 2 anos, o ibuprofeno resultou em redução de temperatura superior ao paracetamol em menos de 4 horas e de 4 a 24 horas. 6
- Ambos os medicamentos têm perfis de segurança semelhantes, sem diferença significativa em eventos adversos graves. 6, 7
Terapia Combinada ou Alternada
- A combinação ou alternância de ibuprofeno e paracetamol proporciona maior antipirexia do que ibuprofeno isolado às 4-6 horas. 8
- No entanto, há preocupações de que o tratamento combinado seja mais complicado e possa contribuir para o uso inseguro desses medicamentos. 3
- Não há diferença substancial na segurança e eficácia entre paracetamol e ibuprofeno no cuidado de uma criança geralmente saudável com febre. 3
Métodos Físicos de Resfriamento: NÃO RECOMENDADOS
- Métodos físicos como ventilação, banhos frios e esponjas tépidas causam desconforto e NÃO são recomendados em crianças com convulsões febris. 1, 2
- Esses métodos não têm benefício comprovado e devem ser evitados. 2
Medição da Temperatura
- Termômetros orais ou retais são alternativas aceitáveis quando a medição central não está disponível. 1
- Termômetros timpânicos e de artéria temporal mostram concordância ruim com medições de temperatura central e NÃO devem ser confiáveis para decisões críticas. 1
Orientações aos Pais
Ao aconselhar pais ou cuidadores de uma criança febril, enfatize:
- O bem-estar geral da criança é mais importante que o número da temperatura. 3
- Monitorar a atividade da criança e observar sinais de doença grave. 3
- Encorajar ingestão adequada de líquidos para prevenir desidratação. 2
- Armazenamento seguro de antipiréticos para evitar intoxicação acidental. 3
- Exposições superiores a 140 mg/kg/dia de paracetamol por vários dias carregam risco de toxicidade hepática grave. 5
Situações Especiais: Convulsões Febris
- Use paracetamol para promover conforto e prevenir desidratação, NÃO para normalizar a temperatura ou prevenir convulsões. 2
- O tratamento antipirético deve focar no conforto, não na prevenção de convulsões. 1, 2
- Considere fornecer diazepam retal aos pais para administração domiciliar no início da convulsão, para prevenir convulsões recorrentes prolongadas. 2
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não administrar antipiréticos quando há febre mínima ou ausente apenas por preocupação dos pais. 3
- Não usar métodos de resfriamento físico que causam desconforto. 1, 2
- Não deixar de identificar e tratar a causa subjacente da febre. 1
- Não confiar em métodos não confiáveis de medição de temperatura (timpânico, temporal) para tomada de decisões críticas. 1