Manejo da Febre em Criança de 5 Anos
Para uma criança de 5 anos com febre, o objetivo principal deve ser melhorar o conforto da criança, não normalizar a temperatura corporal, usando paracetamol como primeira linha de tratamento antipirético. 1, 2
Definição e Avaliação Inicial
- A febre é definida como temperatura retal ≥38,0°C (100,4°F) 1
- A maioria das febres nesta idade são causadas por infecções virais benignas e autolimitadas 1, 2
- Avalie o estado geral da criança: uma criança com aparência tóxica ou muito doente requer avaliação médica imediata 1
- Verifique sinais vitais incluindo frequência cardíaca, frequência respiratória e tempo de enchimento capilar 3
Fatores de Risco para Infecções Bacterianas Graves
Embora crianças de 5 anos tenham menor risco que lactentes, considere:
- Febre ≥40°C aumenta o risco de bacteremia 1
- Febre persistente por mais de 5 dias aumenta a probabilidade de infecção bacteriana grave 1
- Estado de imunização incompleto 1
- Aparência tóxica ou letargia extrema 1, 3
Investigação Diagnóstica
Quando Investigar:
- Urinálise deve ser realizada se não houver fonte óbvia de febre, pois infecção urinária é a infecção bacteriana grave mais comum nesta faixa etária 1
- Radiografia de tórax se houver sinais respiratórios (taquipneia, retrações, estertores) 4, 1
- Para crianças >3 meses com temperatura >39°C (>102,2°F) e leucócitos >20.000/mm³, considere radiografia de tórax mesmo sem sinais clínicos evidentes de doença pulmonar 4
- Hemograma, PCR e procalcitonina podem ser indicados baseado na avaliação clínica 1
Sinais de Alerta que Requerem Avaliação Médica Imediata:
- Aparência tóxica ou letargia extrema 1, 3
- Sinais meníngeos (rigidez de nuca, alteração do estado mental) 1
- Manchas na pele ou petéquias 1
- Dificuldade respiratória 1
- Recusa alimentar ou vômitos persistentes 1
- Irritabilidade constante ou inconsolável 3
Tratamento Antipirético
Medicação Recomendada:
- Paracetamol (acetaminofeno) é o antipirético de primeira linha preferido 4, 1, 2
- Ibuprofeno é igualmente eficaz e seguro em crianças saudáveis 2
- Não há evidência de diferença substancial na segurança e eficácia entre paracetamol e ibuprofeno 2
- Embora a combinação dos dois seja mais eficaz, há preocupações sobre uso inseguro e maior complexidade 2
Métodos Físicos NÃO Recomendados:
- Métodos físicos como ventilação forçada, banhos frios e esponjas com água morna causam desconforto e NÃO são recomendados 4, 1
- Estes métodos não têm benefício comprovado e podem piorar o desconforto da criança 4
Hidratação
- Garantir ingestão adequada de líquidos é crucial para prevenir desidratação 4, 1
- Avalie a hidratação observando diurese, mucosas e turgor cutâneo 3
Convulsões Febris
Embora menos comuns aos 5 anos:
- Convulsões febris simples são breves, generalizadas e ocorrem uma vez em 24 horas 1
- O risco de recorrência é aproximadamente 30%, maior em crianças mais jovens 4, 1
- Antipiréticos NÃO previnem convulsões febris iniciais ou recorrentes e não devem ser usados para este propósito 5
Critérios para Manejo Ambulatorial vs Hospitalização
Manejo Ambulatorial Apropriado Se:
- Criança com bom estado geral 1
- Urinálise normal (se realizada) 1
- Marcadores inflamatórios normais (se realizados) 1
- Pais capazes de monitorar e retornar se houver deterioração 1
Hospitalização Indicada Se:
- Aparência tóxica ou muito doente 1
- Alterações no líquor (se punção lombar realizada) 1
- Alterações em marcadores inflamatórios 1
- Dificuldade de alimentação, vômitos ou diminuição do débito urinário 1
Acompanhamento e Orientação aos Pais
- Crianças manejadas ambulatorialmente devem ser reavaliadas em 24 horas 1
- Oriente os pais sobre sinais de alerta: piora do estado geral, manchas na pele, dificuldade respiratória, recusa alimentar, irritabilidade ou sonolência excessiva 1
- Enfatize que a febre em si raramente é prejudicial abaixo de 41,7°C 6
- A febre é uma resposta fisiológica benéfica no combate à infecção 2, 5
- Instrua sobre armazenamento seguro de antipiréticos e dosagens apropriadas 2
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não trate febres não complicadas agressivamente apenas para normalizar a temperatura 2, 5
- Não use antipiréticos em crianças sem febre por medo parental 2, 6
- Não confie apenas na altura da febre como preditor de doença grave - o estado clínico da criança é mais importante 5
- Lembre-se que antipiréticos podem mascarar o diagnóstico da causa subjacente 5