Evidência da Olanzapina na Mania Aguda
A olanzapina demonstra eficácia robusta no tratamento da mania aguda do transtorno bipolar I, sendo superior ao placebo e equivalente ou superior ao haloperidol, valproato e lítio, com aprovação da FDA para esta indicação tanto em monoterapia quanto em terapia combinada. 1, 2
Eficácia em Monoterapia
A olanzapina em monoterapia (5-20 mg/dia) é significativamente superior ao placebo na redução dos sintomas maníacos, com diferença média ponderada de -5,94 pontos na escala Y-MRS (IC 95%: -9,09 a -2,80) 2. Em estudos controlados com 270 pacientes hospitalizados com esquizofrenia agitada, doses de 2,5 a 10 mg IM de olanzapina foram superiores ao placebo, embora sem diferença significativa em relação ao haloperidol 7,5 mg baseado nos escores PANSS-EC 3.
- Em adolescentes (13-17 anos), a olanzapina (2,5-20 mg/dia, dose modal média de 10,7 mg/dia) foi mais eficaz que o placebo no tratamento de episódios maníacos ou mistos, conforme demonstrado em estudo duplo-cego de 3 semanas 1
- A olanzapina demonstrou superioridade ao valproato na redução dos sintomas maníacos (diferença média padronizada: -0,29, IC 95%: -0,50 a -0,08) 2
- Não houve diferença estatisticamente significativa na taxa de resposta clínica entre olanzapina e haloperidol (RR: 1,03, IC 95%: 0,77 a 1,38), embora a olanzapina tenha causado menos sintomas extrapiramidais 2
Eficácia em Terapia Combinada
A olanzapina combinada com lítio ou valproato é superior à monoterapia com estabilizadores de humor, demonstrando redução adicional de -4,01 pontos na escala Y-MRS (IC 95%: -6,06 a -1,96) 2. Em dois estudos controlados de 6 semanas com 175 e 169 pacientes ambulatoriais, a olanzapina (5-20 mg/dia, iniciando com 10 mg/dia) combinada com lítio (0,6-1,2 mEq/L) ou valproato (50-125 μg/mL) foi superior ao estabilizador de humor isolado 1.
- Em estudo com 201 pacientes com mania bipolar, a olanzapina IM (10/10/5 mg) mostrou redução significativamente maior em todas as escalas de agitação em 2 horas comparada ao lorazepam (2/2/1 mg) ou placebo, embora às 24 horas não houvesse diferença significativa entre olanzapina e lorazepam 3
- A combinação de olanzapina com lítio ou valproato é indicada para pacientes com sintomas maníacos ou mistos inadequadamente controlados (Y-MRS ≥16) em monoterapia 1
Prevenção de Recaída
A olanzapina é atualmente o único antipsicótico atípico aprovado para terapia de manutenção na prevenção de recaída do transtorno bipolar I 4. Em estudo com 361 pacientes que responderam à olanzapina 5-20 mg/dia durante fase aberta de aproximadamente 2 semanas, a continuação da olanzapina resultou em tempo significativamente maior até a recaída comparado ao placebo (50% do grupo olanzapina descontinuou no dia 59 versus dia 23 no grupo placebo) 1.
- Durante até 1 ano de terapia com olanzapina, 88,3% dos pacientes experimentaram remissão dos sintomas maníacos (Y-MRS ≤12), e apenas 25,5% subsequentemente recaíram (Y-MRS ≥15) 5
- Evidências atuais sugerem que a olanzapina pode ser mais eficaz que o lítio na prevenção de recaída em mania, mas não na prevenção de recaída em depressão ou recaída geral 4
Perfil de Segurança e Tolerabilidade
A olanzapina é geralmente bem tolerada, com baixa incidência de sintomas extrapiramidais, mas está associada a maior ganho de peso que a maioria dos agentes atípicos 4, 2. Os eventos adversos mais comuns incluem sonolência (46,0%), depressão (38,9%) e ganho de peso (36,3%) 5.
- A olanzapina causou maior ganho de peso que o placebo (diferença média ponderada: 1,91 kg, IC 95%: 1,29 a 2,53) e sonolência (RR: 2,13, IC 95%: 1,62 a 2,79) 2
- Comparada ao valproato, a olanzapina causou maior ganho de peso (diferença média ponderada: 1,54 kg, IC 95%: 1,02 a 2,05), sonolência (RR: 1,80, IC 95%: 1,32 a 2,46) e distúrbios do movimento (diferença média ponderada SAS: 0,72, IC 95%: 0,11 a 1,33), mas menos náusea (RR: 0,36, IC 95%: 0,20 a 0,65) 2
- Comparada ao haloperidol, a olanzapina causou mais ganho de peso (RR: 3,59, IC 95%: 1,49 a 8,64), mas significativamente menos distúrbios do movimento (RR para SEP: 0,10, IC 95%: 0,04 a 0,24) 2
- A olanzapina causou mais elevação de prolactina que o placebo (RR: 4,35, IC 95%: 1,77 a 10,70) 2
Dosagem e Administração
Para mania aguda em adultos, a dose inicial recomendada de olanzapina é 10-15 mg/dia, com faixa terapêutica de 5-20 mg/dia 1, 6. A dose modal média em estudos de longo prazo foi 13,9 mg/dia 5.
- Em adolescentes, a dose flexível de 2,5-20 mg/dia (dose modal média de 10,7 mg/dia) demonstrou eficácia, com dose média de 8,9 mg/dia 1
- Para agitação aguda associada à mania bipolar I, doses IM de olanzapina de 2,5 a 10 mg podem ser administradas, com possibilidade de até 3 injeções durante período de 24 horas, embora a segunda injeção não possa ser administrada até após o período inicial de 2 horas 1
- Em terapia combinada, a olanzapina deve ser iniciada com 10 mg/dia em combinação com lítio (0,6-1,2 mEq/L) ou valproato (50-125 μg/mL) 1
Considerações Clínicas Importantes
A American Academy of Child and Adolescent Psychiatry recomenda olanzapina como opção de primeira linha para mania aguda, juntamente com lítio, valproato e outros antipsicóticos atípicos 7, 8. A olanzapina é particularmente útil quando controle rápido de sintomas psicóticos e agitação é prioritário 7.
- Monitoramento metabólico rigoroso é essencial, incluindo IMC, circunferência da cintura, pressão arterial, glicemia de jejum e perfil lipídico no baseline, com IMC mensal por 3 meses e depois trimestral, e pressão arterial, glicose e lipídios aos 3 meses e depois anualmente 7
- Evitar combinação de olanzapina em altas doses com benzodiazepínicos, pois fatalidades foram relatadas com uso concomitante 3
- A terapia de manutenção deve continuar por pelo menos 12-24 meses após estabilização, com alguns pacientes necessitando tratamento vitalício quando os benefícios superam os riscos 7, 1
- Taxa elevada de descontinuação do tratamento em todos os grupos pode ter enviesado as estimativas de eficácia relativa nos estudos 2