Uso Profilático de Nitazoxanida: Não Há Indicação para Administração Rotineira
Não existe indicação estabelecida para o uso profilático de nitazoxanida a cada 6 meses ou anualmente como antiparasitário em nenhuma população, incluindo indivíduos imunocompetentes ou imunocomprometidos. 1
Indicações Aprovadas e Baseadas em Evidências
A nitazoxanida está aprovada exclusivamente para tratamento de infecções parasitárias ativas, não para profilaxia:
- Tratamento de diarreia por Giardia intestinalis em pacientes ≥1 ano de idade 2, 3
- Tratamento de diarreia por Cryptosporidium em crianças de 1-11 anos 2, 4
- Tratamento de criptosporidiose em pacientes HIV-positivos em combinação com terapia antirretroviral eficaz (HAART), embora com eficácia limitada 1
A duração típica do tratamento é de 10-14 dias para infecções ativas, não administração periódica preventiva 1, 3
Por Que Profilaxia Não É Recomendada
Ausência de Evidência em Diretrizes Principais
As diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA) e CDC não recomendam profilaxia antiparasitária rotineira com nitazoxanida em nenhuma população de risco 1:
- Em pacientes HIV/AIDS: As diretrizes recomendam profilaxia apenas para infecções oportunistas específicas (Pneumocystis, Toxoplasma, MAC), mas não para parasitas intestinais 1
- Em áreas endêmicas: Não há recomendação para profilaxia periódica, mesmo em regiões com alta prevalência de parasitoses 1
Diferença Crítica com Outras Profilaxias
É importante distinguir nitazoxanida de medicamentos que têm indicação profilática estabelecida:
- Itraconazol tem indicação profilática em pacientes HIV com CD4 <150 células/mL em regiões com alta incidência de histoplasmose (≥15 casos/100 pacientes-ano), administrado 200 mg diariamente 1
- TMP-SMX tem indicação profilática para Pneumocystis em pacientes imunocomprometidos 1
Nitazoxanida não possui evidência equivalente para uso profilático 1, 2
Abordagem Correta para Parasitoses Recorrentes
Se um paciente apresenta infecções parasitárias recorrentes, a estratégia apropriada não é profilaxia periódica, mas sim:
- Investigar fonte de reinfecção: água contaminada, alimentos, contato com portadores assintomáticos 1
- Tratar infecções ativas quando diagnosticadas com curso completo de 10-14 dias 1
- Rastreamento de contatos domiciliares para identificar portadores que possam estar causando reinfecção 1
- Medidas de higiene e saneamento para prevenir reexposição 1
Armadilha Clínica Comum
Não confundir tratamento de infecção ativa com profilaxia:
- Tratamento supressivo crônico existe para algumas infecções (ex: TMP-SMX após Pneumocystis, fluconazol após criptococose) 1
- Nitazoxanida não tem papel em terapia supressiva crônica para nenhuma parasitose 1, 2
A administração periódica "preventiva" de antiparasitários sem diagnóstico confirmado não é prática baseada em evidências e pode contribuir para resistência antimicrobiana 1