Quando Usar os Critérios de Roma vs. Manning para Síndrome do Intestino Irritável
Os critérios de Roma devem ser usados para pesquisa clínica e padronização de estudos farmacológicos, enquanto os critérios de Manning são mais apropriados para a prática clínica diária, especialmente na atenção primária. 1
Contexto Histórico e Propósito de Cada Critério
Critérios de Roma
- Foram desenvolvidos com apoio da indústria farmacêutica especificamente para permitir maior comparabilidade entre estudos de efeitos de medicamentos 1
- Representam um consenso que não deve se tornar uma "camisa de força" para impedir investigação científica 1
- São notavelmente insensíveis quando aplicados rigidamente na prática clínica, levando a muita incerteza diagnóstica 2
- Apenas 73% dos pacientes com SII confirmada atendem aos critérios de Roma II, comparado com 94% que atendem aos critérios de Manning 2
Critérios de Manning
- São mais sensíveis para uso clínico, identificando 94% dos pacientes com SII 2
- A análise fatorial mostra que os três primeiros sintomas (dor aliviada pela defecação, fezes mais amolecidas com início da dor, fezes mais frequentes com início da dor) correlacionam-se bem entre si 1
- São mais práticos e intuitivos para médicos generalistas 2
Aplicação Prática na Atenção Primária
Para pacientes na atenção primária, o diagnóstico deve ser feito com base em sintomas típicos, exame físico normal e ausência de sinais de alarme, sem necessidade de aplicar rigidamente critérios específicos 1, 3
Abordagem Diagnóstica Recomendada
- Poucos clínicos usam sistematicamente os critérios de Roma II, preferindo uma abordagem holística que considera características além do intestino 3
- Aproximadamente 80% dos médicos generalistas não têm conhecimento de critérios específicos, e apenas 4% já os utilizaram 2
- Médicos de atenção primária estão particularmente bem posicionados para fazer essas avaliações, enquanto médicos especializados treinados para focar apenas em sintomas gastrointestinais correm o risco de perder pistas importantes 3
Quando Usar Cada Critério
Use os Critérios de Roma Quando:
- Estiver conduzindo pesquisa clínica ou ensaios farmacológicos que requerem populações homogêneas 1, 4
- Precisar de padronização para comparar resultados entre diferentes estudos 1
- Estiver em ambiente acadêmico ou de pesquisa 4
Use os Critérios de Manning (ou Abordagem Clínica Holística) Quando:
- Estiver na prática clínica diária, especialmente na atenção primária 3, 2
- O paciente for mulher, menor de 45 anos, com história de sintomas por mais de 2 anos 1, 3
- Houver sintomas não gastrointestinais associados como fibromialgia (presente em 20-50% dos casos), fadiga crônica, dor pélvica crônica ou disfunção temporomandibular 3
Características de Suporte Além dos Critérios Formais
Para esta paciente específica (mulher com fibromialgia e disfagia aguda para sólidos), considere:
Fatores que Fortalecem o Diagnóstico de SII
- Sexo feminino é um preditor independente 3
- Fibromialgia coexiste em 20-50% dos pacientes com SII, com taxas de SII em fibromialgia chegando a 77% 3
- Letargia, sono ruim, dor lombar, frequência urinária e dispareunia são mais frequentes em SII 1, 3
- Defecação matinal urgente com múltiplas evacuações, onde a consistência das fezes muda de formada inicialmente para progressivamente mais líquida 3
Sinais de Alarme que Requerem Investigação Adicional
- A disfagia aguda para sólidos NÃO é característica de SII e requer investigação separada 1
- Perda de peso, sangramento retal, sintomas noturnos ou anemia exigem investigação adicional 1
- Pacientes com mais de 45 anos, história curta de sintomas ou sintomas atípicos devem ser encaminhados para investigação hospitalar 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não aplique rigidamente os critérios de Roma na prática clínica, pois muitos pacientes com dor abdominal e hábito intestinal perturbado não se encaixam exatamente nesses critérios, mas seu curso clínico é similar 1
- Não ignore sintomas extraintestinais importantes que aumentam a probabilidade do diagnóstico 3
- Não use critérios diagnósticos como substituto para avaliação clínica cuidadosa, especialmente quando há sintomas de alarme como disfagia 1
- Uma vez estabelecido o diagnóstico funcional, a incidência de novos diagnósticos não funcionais é extremamente baixa, mas isso requer confirmação por observação ao longo do tempo 1