Hérnia de Núcleo Pulposo C4-C5: Sintomas e Tratamento
Sintomas Clínicos
A hérnia de núcleo pulposo cervical em C4-C5 tipicamente manifesta-se com radiculopatia C5 ou C6, dependendo da localização exata da compressão, apresentando padrões neurológicos específicos que devem ser cuidadosamente avaliados.
Manifestações Radiculares Típicas
- Dor radicular: Dor irradiando do pescoço para o ombro, face lateral do braço, antebraço e potencialmente até os dedos, seguindo a distribuição do dermátomo afetado 1
- Parestesias: Formigamento ou queimação nos membros superiores, particularmente nos dedos e antebraço, que podem piorar inicialmente após descompressão cirúrgica 1
- Fraqueza motora: Comprometimento de força nos bíceps (C5), extensores do punho (C6), ou flexores dos dedos, com graduação variável de 0/5 a 4/5 1
- Déficits sensoriais: Diminuição da sensibilidade ao toque leve nos dedos e mãos, seguindo distribuição dermatomal específica 1
Sinais de Alerta ("Red Flags")
- Mielopatia: Sinais de compressão medular incluindo fraqueza bilateral, alterações de marcha, hiperreflexia, clônus, ou sinal de Babinski positivo 1
- Disfunção vesical: Retenção urinária ou incontinência sugerindo síndrome da cauda equina (mais comum em níveis lombares, mas importante avaliar) 1
- Déficit neurológico progressivo: Piora aguda da função motora ou sensorial requer avaliação urgente 1
- Dor intratável: Dor que não responde a terapia conservadora adequada 1
Avaliação Diagnóstica
Exame Físico Direcionado
- Avaliação motora segmentar: Testar força dos bíceps (C5), extensores do punho (C6), tríceps (C7), flexores e abdutores dos dedos 1
- Reflexos tendinosos profundos: Avaliar reflexos bicipital (C5-C6), braquiorradial (C6), e tricipital (C7) 1
- Teste de Spurling: Extensão cervical com rotação e compressão axial para reproduzir sintomas radiculares 1
- Avaliação de mielopatia: Testar para clônus, Babinski, Hoffman, e coordenação motora fina 1
Imagem Diagnóstica
A ressonância magnética (RM) da coluna cervical sem contraste é o exame de escolha inicial para avaliar hérnia discal cervical com radiculopatia ou mielopatia 1
- RM cervical sem contraste: Fornece visualização superior do disco herniado, compressão radicular, alterações de sinal medular, e estenose do canal 1
- TC cervical: Reservada para avaliação óssea detalhada, osteófitos, e planejamento cirúrgico quando RM é contraindicada 1
- Mielografia por TC: Considerada apenas em casos equívocos ou quando RM é inadequada, requer punção lombar 1
- Radiografias simples: Não são apropriadas como exame inicial para radiculopatia cervical 1
Tratamento
Manejo Conservador Inicial
O tratamento conservador deve ser a primeira linha para pacientes sem mielopatia ou déficit neurológico progressivo, com duração mínima de 6-12 semanas antes de considerar intervenção cirúrgica 1, 2
- História natural favorável: A maioria dos pacientes com radiculopatia por hérnia discal melhora espontaneamente sem cirurgia, embora o tempo de recuperação varie de semanas a meses 2
- Repouso relativo: Evitar atividades que exacerbam os sintomas, mas manter mobilidade dentro dos limites toleráveis 1
- Analgesia: Anti-inflamatórios não esteroidais e analgésicos conforme necessário para controle da dor 1
- Fisioterapia: Exercícios de fortalecimento e alongamento após fase aguda, com técnicas de tração cervical quando apropriado 1
- Imobilização cervical: Colar cervical pode ser usado temporariamente na fase aguda, mas imobilização prolongada deve ser evitada devido a complicações (úlceras de pressão, disfagia, aumento da pressão intracraniana) 1
Indicações para Cirurgia
A descompressão cirúrgica urgente (dentro de 48-96 horas) está indicada para pacientes com mielopatia progressiva ou déficit motor grave, enquanto cirurgia eletiva pode ser considerada após falha de tratamento conservador adequado 1
Indicações Urgentes/Emergentes:
- Mielopatia com alteração de sinal medular: Compressão medular com evidência de lesão na RM requer descompressão urgente para prevenir déficit permanente 1
- Déficit motor progressivo: Piora aguda da função motora (especialmente grau 3/5 ou pior) 1
- Síndrome da cauda equina: Disfunção vesical/intestinal com compressão radicular múltipla (raro em nível cervical) 1
Indicações Eletivas:
- Radiculopatia refratária: Dor radicular persistente após 6-12 semanas de tratamento conservador adequado 1, 2
- Déficit motor significativo: Fraqueza muscular que não melhora com tratamento conservador 3
- Dor axial crônica com instabilidade: Pacientes com dor cervical axial significativa associada a instabilidade documentada podem se beneficiar de fusão 1
Abordagens Cirúrgicas
- Discectomia anterior com fusão (ACDF): Abordagem mais comum para hérnias discais cervicais, permite descompressão direta e estabilização 1
- Descompressão posterior: Laminectomia ou laminoplastia para estenose multinível ou mielopatia 1
- Timing cirúrgico: Cirurgia precoce (< 96 horas) pode estar associada a melhores resultados em casos de mielopatia aguda, embora a evidência seja heterogênea 1
Fusão vs. Discectomia Isolada
A fusão cervical não é recomendada rotineiramente para hérnia discal isolada sem instabilidade ou dor axial crônica significativa 1
- Discectomia isolada: Apropriada para radiculopatia pura sem instabilidade 1
- Fusão adicional: Considerar em pacientes com doença degenerativa grave, instabilidade documentada, trabalhadores manuais, ou dor axial crônica predominante 1
- Reoperação: Fusão pode ser indicada em casos de recorrência com instabilidade ou dor axial crônica 1
Armadilhas Clínicas Importantes
- Piora pós-operatória inicial: Disestesias e sintomas sensoriais podem piorar temporariamente após descompressão antes de melhorar, como demonstrado em casos ilustrativos 1
- Imobilização prolongada: Evitar uso prolongado de colar cervical (> 2-3 semanas) devido a complicações como úlceras de pressão, disfagia, e atrofia muscular 1
- Não confundir radiculopatia com mielopatia: Mielopatia requer abordagem cirúrgica mais urgente e tem prognóstico diferente 1
- Idade e comorbidades: Pacientes mais velhos (> 65 anos) têm maior risco de hérnias em níveis altos e podem ter resultados diferentes 3
- Expectativas realistas: Informar pacientes que recuperação completa pode levar meses e que alguns déficits podem ser permanentes, especialmente se presentes por longo tempo 1, 2