Tratamento do Componente de Estresse no Refluxo Laringofaríngeo Silencioso
Recomendação Principal
A sertralina é útil e recomendada para tratar o componente de ansiedade-depressão no refluxo laringofaríngeo, enquanto o delorazepam (benzodiazepínico) deve ser evitado exceto para uso agudo de curto prazo. 1, 2
Evidência para Sertralina no Refluxo Laringofaríngeo com Ansiedade-Depressão
Eficácia Estabelecida
A sertralina demonstra eficácia específica em pacientes com refluxo laringofaríngeo refratário quando combinada com inibidores da bomba de prótons, particularmente naqueles com sintomas de ansiedade e depressão. 3
Um estudo prospectivo demonstrou que 60,7% dos pacientes com refluxo laringofaríngeo refratário apresentavam sintomas positivos de ansiedade e depressão, e o tratamento direcionado desses sintomas melhorou significativamente os resultados terapêuticos. 3
Pacientes com sintomas laringofaríngeos crônicos apresentam níveis elevados de hipervigilância, ansiedade específica aos sintomas e sofrimento psicossocial, independentemente da presença de refluxo patológico comprovado, com 58% apresentando ansiedade laríngea elevada. 4
Mecanismo de Ação Relevante
A sertralina, como inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), é tratamento de primeira linha para transtornos de ansiedade e depressão, com eficácia comparável a outros antidepressivos de segunda geração. 1, 5
A sertralina demonstra superioridade estatisticamente significativa sobre a fluoxetina no manejo da agitação psicomotora, um cluster de sintomas relacionado à ansiedade que pode exacerbar o refluxo. 5
Aproximadamente 62% dos pacientes alcançam resposta terapêutica e 46% alcançam remissão durante 6-12 semanas de tratamento com sertralina. 5
Protocolo de Dosagem da Sertralina
Início do Tratamento
Iniciar com 50 mg/dia por via oral, ou considerar 25 mg/dia por uma semana em pacientes com ansiedade significativa antes de aumentar para 50 mg para melhorar a tolerabilidade. 1, 5
Confirmar a adesão medicamentosa antes de cada aumento de dose, e aumentar em incrementos de 50 mg em intervalos de 1-2 semanas se a resposta for inadequada, até um máximo de 200 mg/dia. 1
Monitoramento e Duração
Avaliar a resposta ao tratamento em 4 semanas e 8 semanas usando medidas padronizadas de sintomas, monitorando especialmente para suicidalidade emergente do tratamento nas primeiras 1-2 semanas. 1, 5
Permitir 6-8 semanas para um ensaio adequado, incluindo pelo menos 2 semanas na dose máxima tolerada. 1
Continuar o tratamento por no mínimo 4-9 meses após resposta satisfatória para episódio inicial, e considerar duração mais longa (≥1 ano) para episódios recorrentes ou sintomas crônicos. 1, 5
Por Que Evitar Delorazepam (Benzodiazepínico)
Contraindicações para Uso Crônico
Benzodiazepínicos não são recomendados para transtornos de ansiedade crônicos devido aos riscos associados ao uso prolongado, incluindo distúrbios cognitivos, dependência e síndromes de abstinência. 2
Os benzodiazepínicos devem ser reservados apenas para ansiedade aguda e transtornos de ajustamento, não para o manejo crônico do componente de estresse no refluxo laringofaríngeo. 2
Riscos Específicos no Contexto do Refluxo
Benzodiazepínicos podem reduzir o autocontrole e desinibir alguns indivíduos, potencialmente levando a comportamentos que exacerbam o refluxo. 1
A eficácia dos ansiolíticos não-benzodiazepínicos no transtorno de ansiedade generalizada é geralmente pobre em comparação com antidepressivos serotoninérgicos. 2
Vantagens da Sertralina sobre Outras Opções
Perfil de Segurança Superior
A sertralina tem baixo potencial de interações farmacocinéticas, ao contrário da fluoxetina, fluvoxamina e paroxetina, que são inibidores potentes de vários sistemas de isoenzimas do citocromo P450. 5
A sertralina tem risco significativamente menor de síndrome de descontinuação em comparação com a paroxetina, que está associada a sintomas graves de abstinência incluindo tontura, náusea, distúrbios sensoriais e parestesias. 1
A sertralina tem menor risco de prolongamento do QTc em comparação com citalopram ou escitalopram, tornando-a mais segura para pacientes com comorbidades médicas. 1
Eficácia em Apresentações Combinadas
Quando depressão e ansiedade coexistem (comum no refluxo laringofaríngeo refratário), a sertralina demonstra eficácia comparável a outros antidepressivos de segunda geração. 5
A sertralina é eficaz para transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social e transtorno de estresse pós-traumático—todos os quais podem coexistir com sintomas somáticos como o refluxo. 1, 6
Armadilhas Comuns a Evitar
Não descontinuar prematuramente: A resposta completa pode levar 6-8 semanas; resposta parcial em 4 semanas justifica tratamento continuado, não troca de medicação. 1
Não descontinuar abruptamente: Reduzir gradualmente ao interromper para minimizar sintomas de descontinuação, embora a sertralina tenha menor risco que a paroxetina. 1
Nunca combinar com IMAOs: Risco de síndrome serotoninérgica; permitir pelo menos 2 semanas de washout ao trocar. 1
Exercer cautela com outros agentes serotoninérgicos: Incluindo tramadol, triptanos, outros antidepressivos e erva de São João. 1
Estratégias Alternativas se Sertralina Falhar
Se não houver resposta após 6-8 semanas em doses terapêuticas (100-200 mg), considerar trocar para venlafaxina de liberação prolongada (IRSN), que demonstrou taxas de resposta estatisticamente melhores que a fluoxetina especificamente para depressão com sintomas proeminentes de ansiedade. 1
Considerar adicionar terapia cognitivo-comportamental (TCC), pois o tratamento combinado (TCC + ISRS) é superior a qualquer um isoladamente para transtornos de ansiedade. 1