Monitoramento e Manejo Pós-Operatório para Paciente Não-Cardiopata Após Laparotomia com Correção Diafragmática
Para pacientes não-cardiopatas submetidos a laparotomia com correção diafragmática, recomenda-se monitoramento contínuo em unidade de cuidados intermediários ou UTI nas primeiras 48-72 horas, com foco primário na prevenção de complicações pulmonares através de higiene pulmonar multimodal e mobilização precoce. 1
Nível de Cuidado Pós-Operatório Inicial
Admissão à UTI ou Unidade de Cuidados Intermediários:
- Pacientes submetidos a laparotomia de emergência devem ser admitidos em ambiente com capacidade de monitoramento contínuo (ECG, oximetria de pulso) e observações a cada 2 horas, mesmo sem cardiopatia prévia 1
- O pico de morbidade ocorre no dia 3 pós-operatório, exigindo vigilância estendida além das primeiras 24 horas 1
- A correção diafragmática aumenta significativamente o risco de complicações pulmonares, justificando cuidados intensificados 1, 2
Armadilha Comum: Transferência precoce para enfermaria antes de 48-72 horas pode resultar em detecção tardia de deterioração, associada a aumento de mortalidade 1
Monitoramento Respiratório Prioritário
Vigilância Contínua:
- Implementar oximetria de pulso contínua e monitoramento de frequência respiratória 1, 3
- Gasometrias arteriais seriadas para pacientes com hipoxemia ou necessidade de suporte ventilatório 1
- Utilizar sistemas de alerta precoce (Early Warning Scores) que podem detectar complicações até 3 dias antes da manifestação clínica 1, 3
Intervenção para Hipoxemia:
- Para pacientes hipoxêmicos (SpO₂ <90% apesar de oxigênio suplementar), iniciar CPAP (8 cm H₂O) ou ventilação não-invasiva ao invés de oxigenoterapia convencional, se o risco de aspiração for baixo 1, 2
- Esta intervenção deve ocorrer em ambiente com equipe treinada e capacidade de monitoramento fisiológico contínuo 1
Protocolo de Higiene Pulmonar Multimodal
Componentes Obrigatórios (iniciar no POD 1):
- Exercícios respiratórios profundos: 10 respirações profundas a cada hora enquanto acordado (inspiração lenta, segurar 3-5 segundos, expiração completa) 2, 4
- Fisioterapia respiratória supervisionada: treinamento de depuração de secreções, tosse assistida com suporte da incisão 1, 4
- Mobilização precoce: sair do leito no dia da cirurgia ou POD 1, progredir para deambulação 2, 4
- Posicionamento: manter paciente em posição vertical quando possível para facilitar movimento diafragmático 3
Evidência: A fisioterapia respiratória tem evidência moderada de redução de complicações pulmonares pós-operatórias, especialmente quando combinada com mobilização precoce 1, 2
Manejo da Dor
Abordagem Multimodal Obrigatória:
- Paracetamol e anti-inflamatórios não-esteroides (se sem contraindicações) como base 1, 2
- Considerar bloqueios de parede abdominal ou cateteres de ferida para reduzir demanda de opioides 1
- Analgesia epidural torácica tem evidência moderada de benefício na prevenção de complicações pulmonares, mas avaliar cuidadosamente sepse e coagulopatia antes da instalação 1, 2
Justificativa: Controle adequado da dor é essencial para permitir respiração profunda efetiva, tosse e mobilização precoce 2, 4
Monitoramento Hemodinâmico
Não é necessário monitoramento cardíaco invasivo de rotina em pacientes não-cardiopatas:
- Monitoramento cardíaco contínuo de rotina após cirurgia não-cardíaca NÃO é indicado para pacientes assintomáticos 1
- Considerar cateter arterial e/ou venoso central precocemente apenas se houver instabilidade hemodinâmica ou necessidade de vasopressores 1
- Manter pressão arterial média 60-65 mmHg e índice cardíaco ≥2.2 L/min/m² durante terapia hemodinâmica guiada por objetivos, se necessário 1
Exceção: Se o paciente desenvolver sintomas (dor torácica, dispneia, palpitações) no pós-operatório, aplicar as diretrizes de monitoramento para síndrome coronariana aguda 1
Detecção Precoce de Complicações
Sistema de Vigilância Estruturado:
- Implementar avaliações seriadas com escores de alerta precoce que podem prever complicações até 3 dias antes do diagnóstico clínico 1, 3
- Monitorar especialmente para complicações cardiovasculares e renais, que embora menos comuns, são altamente preditivas de mortalidade 1
- Atenção especial para pacientes >80 anos, que apresentam maior incidência de complicações 1
Complicações Mais Comuns:
- 60% dos pacientes apresentam pelo menos uma complicação pulmonar, infecciosa ou gastrointestinal 1
- Pico de morbidade no dia 3 pós-operatório 1, 3
Prevenção de Tromboembolismo Venoso
- Continuar avaliação de risco e profilaxia de TEV, pois pacientes de laparotomia de emergência têm risco aumentado comparado a cirurgias eletivas 3
- Combinar profilaxia farmacológica (se sem contraindicações) com mobilização precoce 3
Prevenção de Delirium (se >65 anos)
- Rastreamento regular para delirium pós-operatório em todos os pacientes >65 anos 3
- Intervenções não-farmacológicas: orientação regular, higiene do sono, estimulação cognitiva 3
- Minimizar medicações que podem desencadear delirium 3
Critérios para Transferência da UTI
Transferir para enfermaria quando:
- Estabilidade hemodinâmica sem vasopressores por >6 horas 1
- SpO₂ adequada sem suporte ventilatório avançado 1
- Controle adequado da dor permitindo higiene pulmonar efetiva 2
- Ausência de sinais de alerta precoce de deterioração 3
Armadilha Crítica: Desenvolver protocolos locais claros para pacientes que não podem ser admitidos em leitos de cuidados críticos, garantindo observação proativa e contínua 1