Tratamento da Insónia de Curto Prazo
Para insónia de curto prazo (<4 semanas), recomenda-se um hipnótico de ação curta na dose mais baixa eficaz pelo menor período possível, preferencialmente zolpidem 10 mg (5 mg em idosos) ou zaleplon 10 mg, sempre combinado com educação sobre higiene do sono.
Abordagem Farmacológica de Primeira Linha
O zolpidem é o agente preferencial para insónia de curto prazo, demonstrando eficácia comprovada em reduzir a latência do sono por até 35 dias em estudos controlados, com aprovação específica da FDA para dificuldades de início do sono 1.
A dose recomendada é zolpidem 10 mg ao deitar para adultos, com redução obrigatória para 5 mg em idosos devido ao aumento de 50% na concentração máxima e 64% na área sob a curva nesta população 1.
Zaleplon 10 mg representa uma alternativa válida, particularmente eficaz para reduzir o tempo de início do sono por até 30 dias, sendo ideal para pacientes que precisam acordar cedo devido à sua meia-vida ultracurta 2.
Princípios Fundamentais do Tratamento
A duração do tratamento farmacológico deve ser limitada a menos de 4 semanas, conforme recomendado pelo NHS para insónia de curto prazo com comprometimento diurno grave 3.
Utilize sempre a menor dose eficaz pelo menor período possível, com reavaliação regular após 1-2 semanas para avaliar eficácia e efeitos adversos 4.
O tratamento hipnótico deve ser suplementado com intervenções comportamentais, incluindo controle de estímulos, restrição de sono e técnicas de relaxamento, mesmo no contexto de insónia aguda 4, 5.
Educação Obrigatória do Paciente
Antes de prescrever, eduque o paciente sobre: objetivos terapêuticos realistas, preocupações de segurança (risco de comportamentos complexos do sono como dirigir dormindo), potenciais efeitos colaterais e a natureza temporária do tratamento 4.
Instrua o paciente a tomar a medicação apenas quando puder ter 7-8 horas de sono, não após refeições (para evitar redução de 25% na concentração máxima), e nunca com álcool 4, 1.
Medicamentos a Evitar
Benzodiazepínicos de ação longa (como lorazepam) não devem ser usados devido à meia-vida superior a 24 horas, metabólitos ativos, acúmulo com doses múltiplas e comprometimento da depuração em idosos 3, 4.
Anti-histamínicos de venda livre (difenidramina) não são recomendados devido à falta de dados de eficácia, efeitos anticolinérgicos problemáticos (confusão, retenção urinária), sedação diurna e risco de delirium, especialmente em idosos 3, 4.
Antipsicóticos atípicos não devem ser usados como primeira linha devido aos efeitos metabólicos problemáticos (ganho de peso, síndrome metabólica) e evidência insuficiente de eficácia 3, 4.
Considerações para Populações Especiais
Em idosos (≥65 anos): dose máxima de zolpidem 5 mg devido ao aumento de 50% na concentração máxima, 32% na meia-vida e risco aumentado de quedas e comprometimento cognitivo 4, 1.
Em pacientes com histórico de abuso de substâncias: considere ramelteon 8 mg como alternativa mais segura, pois não possui potencial de dependência e não é controlado pela DEA 4.
Em pacientes com insuficiência hepática: zaleplon requer redução de dose para 5 mg devido à redução de 70% na depuração em cirrose compensada 5.
Armadilhas Comuns a Evitar
Não prescrever hipnóticos sem implementar estratégias comportamentais, pois a abordagem combinada permite doses menores de medicação e melhores resultados a longo prazo 4, 6.
Não continuar farmacoterapia além de 4 semanas sem reavaliação, pois a rotulagem da FDA indica que medicamentos para insónia são destinados ao uso de curto prazo apenas 4, 1.
Não usar doses apropriadas para adultos jovens em idosos, pois o zolpidem requer ajuste de dose obrigatório (máximo 5 mg) nesta população 4, 1.
Não ignorar a possibilidade de transtornos do sono subjacentes (como apneia do sono) se a insónia persistir além de 7-10 dias de tratamento 4.
Monitorização Essencial
Avalie após 1-2 semanas: eficácia na latência do sono, tempo total de sono, funcionamento diurno e presença de efeitos adversos como sedação matinal, comprometimento cognitivo ou comportamentos complexos do sono 4.
Descontinue imediatamente se o paciente relatar comportamentos complexos do sono (dirigir dormindo, caminhar dormindo, comer dormindo), pois este é um efeito adverso grave que requer interrupção do medicamento 4.