Transtornos Hipertensivos na Gravidez
Classificação
Os transtornos hipertensivos na gravidez devem ser classificados em dois grupos temporais principais: hipertensão presente antes da gravidez ou nas primeiras 20 semanas, e hipertensão que surge de novo com 20 semanas ou mais de gestação. 1, 2
Hipertensão antes de 20 semanas:
- Hipertensão crônica (essencial ou secundária) 1
- Hipertensão do avental branco (pressão arterial elevada na clínica, mas normal em casa ou ambulatorial) 2
- Hipertensão mascarada (pressão arterial normal na clínica, mas elevada em outros momentos) 2
Hipertensão com 20 semanas ou mais:
- Hipertensão gestacional transitória (hipertensão que se normaliza com medições repetidas no mesmo dia) 1
- Hipertensão gestacional (hipertensão persistente sem características de pré-eclâmpsia) 1
- Pré-eclâmpsia de novo ou sobreposta à hipertensão crônica 1
Nota crítica: O termo "pré-eclâmpsia grave" não deve ser usado na prática clínica; em vez disso, descreva a pré-eclâmpsia como "com ou sem características graves". 2, 3
Critérios Diagnósticos
Definições de Pressão Arterial:
- Hipertensão: PA sistólica ≥140 mmHg e/ou PA diastólica ≥90 mmHg 2, 3
- Hipertensão grave: PA sistólica ≥160 mmHg e/ou PA diastólica ≥110 mmHg 2, 3
Confirmação:
- Hipertensão grave requer confirmação dentro de 15 minutos 2
- Hipertensão menos grave requer leituras repetidas ao longo de várias horas na mesma visita ou em duas visitas consecutivas 2
Diagnóstico de Pré-eclâmpsia:
A pré-eclâmpsia é diagnosticada quando a hipertensão gestacional é acompanhada por ≥1 condição de novo início: 2
- Proteinúria
- Insuficiência renal
- Envolvimento hepático
- Complicações neurológicas
- Complicações hematológicas (incluindo síndrome HELLP)
- Disfunção uteroplacentária
Avaliação Inicial e Monitoramento
Para Hipertensão Crônica:
Todas as mulheres com hipertensão crônica devem realizar testes basais para facilitar a detecção posterior de pré-eclâmpsia sobreposta: 2, 3
- Hemograma completo
- Enzimas hepáticas
- Creatinina sérica e eletrólitos
- Ácido úrico
- Urinálise com microscopia
- Relação proteína/creatinina ou albumina/creatinina na urina
Para Hipertensão Gestacional Transitória:
- Monitoramento extra durante toda a gravidez (risco de 40% de desenvolver hipertensão gestacional verdadeira ou pré-eclâmpsia) 1, 2
- Idealmente incluir medições domiciliares de pressão arterial 2
Tratamento Ambulatorial (Hipertensão Não Grave)
Terapia Oral de Primeira Linha:
Para hipertensão crônica em gestantes, labetalol e nifedipina de liberação prolongada são os anti-hipertensivos orais de primeira linha para manejo ambulatorial. 4
A Sociedade Europeia de Cardiologia recomenda iniciar tratamento medicamentoso em gestantes com PA persistente ≥150/95 mmHg, e com valores >140/90 mmHg em mulheres com hipertensão gestacional, hipertensão pré-existente com hipertensão gestacional sobreposta, e hipertensão com lesão de órgão-alvo subclínica ou sintomas. 3
Agentes Preferidos:
Importante: Para hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia sem características graves, o uso de anti-hipertensivos para controlar hipertensão não grave não melhora os desfechos e não é recomendado. 5
Tratamento da Hipertensão Grave Aguda
Para hipertensão grave aguda (PA sistólica >160 mmHg ou PA diastólica >110 mmHg no contexto de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia), a terapia anti-hipertensiva intravenosa deve ser iniciada rapidamente para prevenir acidente vascular cerebral hemorrágico. 6, 5
Medicamentos IV de Primeira Linha:
- Labetalol IV 6
- Hidralazina IV 6
- Nifedipina de liberação imediata (pode ser usada por via oral em pacientes hospitalizadas) 4, 6
Meta de Pressão Arterial:
Outros Agentes (Segunda Linha):
Sulfato de Magnésio para Pré-eclâmpsia
O sulfato de magnésio deve ser usado para profilaxia de convulsões em eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave (com características graves). 1
Para pré-eclâmpsia com características graves, é necessária estabilização imediata e tratamento hospitalar com sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões. 5
Nota: Há pouco consenso sobre o uso de sulfato de magnésio para pré-eclâmpsia que não é grave. 1
Momento do Parto
Pré-eclâmpsia a Termo:
O parto é recomendado para pré-eclâmpsia a termo (≥37 semanas). 1, 5
Hipertensão Gestacional e Pré-eclâmpsia sem Características Graves:
Parto com 37 semanas de gestação. 5
Pré-eclâmpsia Pré-termo:
- O manejo requer equilibrar os riscos do parto imediato de um feto imaturo contra os riscos para mãe e filho de complicações da pré-eclâmpsia 7
- Corticosteroides antenatais devem ser administrados para maturação pulmonar fetal <34 semanas se o parto for provável nos próximos 7 dias 1
Pré-eclâmpsia com Características Graves:
- Pacientes no período pré-termo devem receber corticosteroides antenatais sem atrasar o parto para completar os cursos 5
- Estabilização imediata seguida de parto 5
Armadilha comum: Há pouco consenso sobre o momento do parto para mulheres com hipertensão crônica, hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia pré-termo, exigindo avaliação individualizada dos riscos maternos e fetais. 1
Medidas Preventivas
Aspirina em Baixa Dose:
A aspirina em baixa dose diária iniciando com 12-16 semanas de gestação é segura e eficaz para reduzir o risco de pré-eclâmpsia em pacientes com fatores de risco. 5
A aspirina em baixa dose é recomendada para mulheres com risco moderado e alto de pré-eclâmpsia. 3
A prevenção deve começar após 12 semanas de gestação em mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia. 4
Suplementação de Cálcio:
Suplementação de cálcio é recomendada se houver baixa ingestão de cálcio. 1
Terceiro Estágio do Trabalho de Parto:
Ocitocina no terceiro estágio do trabalho de parto. 1
Manejo Pós-parto
Os transtornos hipertensivos da gravidez podem piorar ou se apresentar inicialmente após o parto e são responsáveis por até 44% das mortes relacionadas à gravidez nos primeiros seis dias pós-parto. 5
Monitoramento:
- Vigilância rigorosa no período pós-parto precoce 4, 5
- A hipertensão gestacional geralmente se resolve dentro de 42 dias pós-parto 3
- Reavaliação necessária com ou após 42 dias pós-parto para hipertensão antenatalmente não classificável 3
- Proteinúria deve ser avaliada aos 3 meses pós-parto 3
Implicações a Longo Prazo:
Mulheres com qualquer transtorno hipertensivo da gravidez enfrentam riscos cardiovasculares significativos a longo prazo, e revisão médica anual é aconselhada por toda a vida. 2, 3
- Alcançar peso pré-gestacional até 12 meses pós-parto
- Manter estilo de vida saudável através de exercício e peso corporal ideal