Biomarcadores Liquóricos na Diferenciação da Demência Frontotemporal
O perfil liquórico que melhor diferencia a DFT da doença de Alzheimer é a razão p-tau/Aβ42 baixa combinada com níveis normais ou levemente elevados de neurofilamento de cadeia leve (NfL), enquanto a DA apresenta razão p-tau/Aβ42 elevada (>0,17) com Aβ42 reduzido. 1, 2, 3
Perfil Diagnóstico Principal
Razão p-tau/Aβ42
- A razão p-tau/Aβ42 é o biomarcador mais eficaz para distinguir DFT de DA, com sensibilidade de 91,7% e especificidade de 92,6% 4
- Uma razão p-tau/Aβ42 >0,17 com Aβ42 normal exclui DA típica e favorece DFT 2, 3
- A razão p-tau/Aβ42 alcança níveis suficientes de sensibilidade e especificidade especialmente na discriminação entre afasia progressiva primária e DA 5, 4
Neurofilamento de Cadeia Leve (NfL)
- NfL normal ou levemente elevado é altamente sugestivo de DLFT-TAU (tauopatia), enquanto NfL marcadamente elevado indica DLFT-TDP 1, 2, 6
- NfL no líquor tem excelente acurácia diagnóstica (AUC 0,862-0,93) para discriminar DFT de controles 3, 6
- A combinação de NfL relativamente baixo com razão p-tau/tau elevada tem acurácia diagnóstica (AUC 0,814-0,861) para discriminar DLFT-TAU de DLFT-TDP 2, 6
Algoritmo de Interpretação
Passo 1: Avaliar Razão p-tau/tau
- Razão p-tau/tau elevada (>0,17) sugere tauopatia primária (PSP, degeneração corticobasal) 2, 7
- Razão p-tau/tau muito baixa (<0,17) com tau total extremamente elevado (>1250 pg/mL) e NfL marcadamente elevado (>5016 pg/mL) indica doença de Creutzfeldt-Jakob, não DFT 2, 3
Passo 2: Avaliar Perfil Amiloide
- Aβ42 normal com razão p-tau/Aβ42 baixa confirma DFT e exclui DA 1, 3
- Aβ42 reduzido com razão p-tau/Aβ42 elevada indica DA, mesmo em apresentações atípicas 4, 8
- A razão Aβ42/Aβ40 melhora a acurácia diagnóstica para patologia amiloide cerebral 7
Passo 3: Confirmar com Biomarcadores Adicionais
- Obter PET-amiloide ou medir Aβ42 e razão Aβ42/Aβ40 no líquor para confirmar ou excluir patologia amiloide 3, 7
- Se PET-amiloide ou líquor confirmarem positividade para amiloide, o diagnóstico de DA está estabelecido 3
Subtipos Clínicos e Correlação Patológica
Variante Comportamental da DFT
- Tau total isoladamente elevado sem redução de Aβ42 favorece DFT 1
- NfL variável dependendo do subtipo patológico (DLFT-TAU vs DLFT-TDP) 6
Afasia Progressiva Primária
- Pacientes com afasia progressiva não-fluente geralmente apresentam patologia tau com perfil de NfL e razão p-tau/tau similar ao DLFT-TAU 2, 8
- Tau e p-tau elevados em APP comparado com DFT comportamental 8
- A razão p-tau/Aβ42 é especialmente útil para discriminar APP de DA 5, 4
Síndrome Corticobasal e PSP
- Frequentemente causadas por DLFT-TAU, apresentando NfL intermediário e razão p-tau/tau preservada 2
Armadilhas Comuns e Como Evitá-las
Não Interpretar NfL Isoladamente
- NfL reflete apenas o grau de dano neuronal, não a patologia subjacente específica 2
- Sempre avaliar NfL em conjunto com razão p-tau/tau e perfil amiloide 2, 6
Considerar Fatores Confundidores
- A idade tem forte relação com NfL, especialmente acima de 70 anos, onde valores elevados podem ser normais 2
- Neuropatias periféricas, índice de massa corporal e função renal podem elevar NfL 2
- Idade, duração da doença e comprometimento cognitivo global podem afetar o desempenho diagnóstico dos biomarcadores 9
Usar Razões, Não Valores Absolutos
- A razão p-tau/tau é mais específica que valores absolutos de tau: sempre usar a razão, não apenas p-tau ou tau total isoladamente 2, 6
- A razão tau total/Aβ42 pode ser preferível para pacientes mais comprometidos cognitivamente (MEEM baixo) 9
Reconhecer Sobreposição Patológica
- Uma proporção substancial de adultos mais velhos cognitivamente normais apresenta marcadores patológicos de DA (20-40% acima de 60 anos) 3
- Aproximadamente 60% dos pacientes com atrofia cortical posterior e 61,5% com afasia progressiva não-fluente têm perfil liquórico de DA 4