Critérios APACHE II
O APACHE II é um sistema de pontuação que avalia 12 variáveis fisiológicas, idade, tipo de admissão hospitalar e avaliação de saúde crônica para prever mortalidade e estratificar risco em pacientes críticos. 1
Componentes do Score APACHE II
O sistema APACHE II incorpora três categorias principais de variáveis:
Variáveis Fisiológicas (12 parâmetros)
- O APACHE II avalia 12 medições fisiológicas que refletem mudanças agudas no estado do paciente 1
- Estas variáveis fisiológicas são medidas durante as primeiras 24 horas de internação na UTI ou hospitalização 1
Fatores Premórbidos
- Idade do paciente - componente essencial que o APACHE II inclui, diferentemente de outros sistemas como o SOFA 1
- Condições médicas crônicas - avaliação de comorbidades preexistentes que impactam o prognóstico 1
- Tipo de admissão hospitalar - se é admissão clínica, cirúrgica eletiva ou cirúrgica de emergência 1
Interpretação Clínica e Pontos de Corte
Estratificação de Risco
- APACHE II ≥8 é o ponto de corte ótimo para predição de mortalidade, com sensibilidade de 83,3% e especificidade de 91%, conforme recomendado pelo American College of Emergency Physicians 2
- O score demonstra valor preditivo positivo de 55,6% após 48 horas de internação 2
Aplicações por Nível de Gravidade
- APACHE II ≥15-17: Considerar infusão contínua ou estendida de antibióticos beta-lactâmicos em vez de dosagem intermitente para infecções graves 1
- APACHE II ≥20: Administração contínua de beta-lactâmicos mostra redução de mortalidade (RR 0,73 [0,57-0,94]) comparado à dosagem intermitente 1
- APACHE II ≥29,5: Infusões prolongadas de piperacilina/tazobactam associadas a mortalidade significativamente menor (12,9% vs. 40,5%, p=0,01) 1
Vantagens do Sistema
- Poder discriminativo superior: O APACHE II demonstra AUC pooled de 0,81 para predição de mortalidade, superando o SOFA (AUC 0,75) 1
- Avaliação abrangente: Diferentemente do SOFA, inclui idade e comorbidades como fatores importantes na predição de desfechos 1
- Maior acurácia: Demonstrou acurácia superior para predição de condições agudas graves comparado aos scores Ranson, BISAP e CTSI 2, 1
Limitações e Considerações Práticas
Desafios na Implementação
- O cálculo do APACHE II é trabalhoso e nem todos os parâmetros necessários são coletados rotineiramente 2
- A qualidade do cuidado pré-UTI pode impactar significativamente as medições fisiológicas, criando potencial "viés de tempo de antecedência" 1
Variações Regionais
- O modelo original americano mostrou capacidade variável de predizer risco de morte quando aplicado a pacientes do Reino Unido, necessitando recalibração local 1
- Diferentes padrões de cuidado antes da admissão na UTI podem explicar por que modelos como o APACHE requerem ajustes em diferentes regiões 1
Monitoramento Dinâmico
- Recalculação regular do APACHE II fornece informações valiosas sobre progresso do paciente e resposta ao tratamento 1
- Pontuação diária permite rastrear progressão da doença ou recuperação, com mudanças no padrão indicando resposta ao tratamento ou início de complicações como sepse 1
- Particularmente valioso no manejo de pancreatite aguda grave 1
Aplicações Clínicas Específicas
- O American College of Critical Care Medicine recomenda usar APACHE II para estratificação de risco em infecções intra-abdominais complicadas quando calculado nas primeiras 24 horas 1
- A Society of Critical Care Medicine sugere que o APACHE II seja incorporado em modelos validados de predição de delirium, como o PRE-DELIRIC, onde funciona como um dos 10 preditores com AUROC de 0,77 1
- Scores APACHE mais altos correlacionam-se com risco aumentado de delirium em pacientes de UTI 1