Posologia de Ondansetrona em Pediatria
A dose recomendada de ondansetrona para pacientes pediátricos é 0,15 mg/kg por dose (máximo 16 mg por dose), administrada por via intravenosa, intramuscular ou oral, com ajuste baseado no peso e contexto clínico específico. 1, 2, 3
Dosagem Padrão por Via de Administração
Via Intravenosa e Intramuscular
- 0,15 mg/kg por dose com máximo absoluto de 16 mg por dose única 1, 2, 3
- Esta dosagem aplica-se igualmente para administração IV ou IM 1
- As doses devem ser calculadas exatamente de acordo com o peso e não devem ser arredondadas além do cálculo preciso de 0,15 mg/kg, refletindo a janela terapêutica estreita do medicamento 1, 3
Via Oral
- Mesma dosagem baseada em peso: 0,15 mg/kg por dose (máximo 8-16 mg dependendo da indicação) 3
- A suspensão oral está disponível na concentração de 6 mg/mL 1
- Pode ser administrada independentemente das refeições, embora a administração com alimentos possa melhorar a tolerabilidade gastrointestinal 1, 3
Exemplos de Cálculo por Peso
Para facilitar a aplicação clínica, seguem exemplos práticos:
- Criança de 10 kg: 1,5 mg por dose 3
- Criança de 20 kg: 3 mg por dose 3
- Criança de 30 kg: 4,5 mg por dose 1, 3
- Criança de 40 kg: 6 mg por dose 1, 3
- Qualquer criança ≥107 kg: 16 mg (dose máxima) 3
Posologia por Contexto Clínico
Náuseas e Vômitos Induzidos por Quimioterapia
Quimioterapia de Alto Risco Emético (ex: cisplatina ≥50 mg/m²)
- Regime de três drogas: ondansetrona + dexametasona + aprepitant 1, 3
- Administrar 0,15 mg/kg IV (máximo 16 mg) 30 minutos antes da quimioterapia 3
- Repetir às 4 e 8 horas após a primeira dose 3
- Esta combinação é significativamente mais eficaz que ondansetrona isolada 1, 4
- Em estudos, 40% das crianças recebendo cisplatina tiveram ≤2 episódios eméticos com ondansetrona 1, 4
Quimioterapia de Risco Emético Moderado (ex: carboplatina, doxorrubicina)
- Regime de duas drogas: ondansetrona + dexametasona 1, 3
- Dosagem: 0,15 mg/kg IV ou oral antes da quimioterapia 3
- A adição de dexametasona melhora significativamente a eficácia antiemética comparada à ondansetrona isolada 1, 4
Quimioterapia de Baixo Risco Emético
- Monoterapia com ondansetrona ou granisetrona é suficiente 1, 3
- Dosagem: 0,15 mg/kg por via apropriada 1
Náuseas e Vômitos Pós-Operatórios
- 0,1 a 0,15 mg/kg IV administrada antes ou ao final da cirurgia 4
- Particularmente eficaz em procedimentos de alto risco emético como tonsilectomia ou correção de estrabismo 4
- Ondansetrona demonstrou superioridade significativa comparada a droperidol (0,02-0,075 mg/kg) ou metoclopramida (0,2-0,25 mg/kg) 4
- A combinação de ondansetrona com dexametasona é significativamente mais eficaz que qualquer agente isolado 4
Gastroenterite Aguda com Vômitos
- Dose única de 0,15 mg/kg (máximo 16 mg) 2, 5
- Recomendada pela Infectious Diseases Society of America para crianças >4 anos com gastroenterite aguda associada a vômitos 1, 2
- Dose única produz 41% maior chance de cessação dos vômitos em 8 horas comparado ao placebo 1
- Reduz falha da terapia de reidratação oral em 57% e necessidade de hidratação IV em 56% 1
- O tratamento antiemético não deve substituir a terapia adequada de fluidos e eletrólitos, que permanece o pilar do tratamento 2
Náuseas e Vômitos Induzidos por Radioterapia
- 8 mg oral ou 0,15 mg/kg IV uma vez ao dia antes da radioterapia 3
- Continuar diariamente nos dias de tratamento 1
Restrições de Idade e Considerações Especiais
Idade Mínima
- Ondansetrona deve ser usada apenas em crianças ≥6 meses de idade 1, 2, 3
- Dados de segurança e eficácia são limitados em lactentes <6 meses 2, 3
Exemplo para Lactente de 7,3 kg (16 libras, ≥6 meses)
- Dose calculada: 1 mg por dose (0,15 mg/kg) 3
- Via leve: 1 mg IM 3
- Via moderada: 1 mg IM, considerar acesso IV para ressuscitação volêmica 3
- Via grave: 1 mg IV se acesso estabelecido, priorizar ressuscitação volêmica rápida 3
- Pode ser administrada a cada 8 horas se necessário, embora terapia de dose única seja frequentemente suficiente 1
Considerações Críticas de Segurança
Prolongamento do Intervalo QT
- Cautela especial é necessária em crianças com cardiopatia subjacente devido ao potencial de prolongamento do intervalo QT de forma dose-dependente 1, 2, 3
- Realizar triagem para história cardíaca, incluindo cardiopatia congênita ou arritmias, antes da administração 2
- Contraindicada em crianças com síndrome do QT longo congênito ou anormalidades eletrolíticas 3
- Evitar uso concomitante com outros medicamentos que prolongam o QT, como certos antibióticos ou antiarrítmicos 1
Monitoramento
- Monitorar o paciente por 4-6 horas após a administração para avaliar resposta 3
- Observar resolução dos vômitos e melhora do estado clínico 3
Comparação com Outros Antieméticos
Ondansetrona versus Metoclopramida
- Ondansetrona deve ser o antiemético de primeira linha em pacientes pediátricos em vez de metoclopramida devido à eficácia superior e perfil de segurança significativamente melhor 1
- Particularmente importante devido ao menor risco de reações extrapiramidais graves que podem ocorrer com metoclopramida 1
- Em ensaios controlados randomizados, ondansetrona demonstrou eficácia significativamente superior no controle de náuseas e vômitos em crianças recebendo quimioterapia 1, 4
Ondansetrona versus Granisetrona
- Embora não haja diferenças significativas entre os antagonistas 5-HT3 em termos de eficácia para emese aguda 6, alguns estudos sugerem que granisetrona pode ser mais eficaz para controle de emese tardia 7
- Palonosetron pode oferecer maior proteção contra emese tardia comparado a uma única administração de granisetrona 6
Eventos Adversos
- Geralmente bem tolerada em crianças, raramente necessitando descontinuação 4
- Eventos adversos mais frequentemente relatados: cefaleia leve a moderada, constipação e diarreia em pacientes recebendo quimioterapia 4
- Em contexto pós-cirúrgico: problemas na ferida, ansiedade, cefaleia, sonolência e pirexia 4