Tratamento do Prurido Colestático
O bezafibrato é o tratamento de primeira linha recomendado para prurido colestático moderado a grave, com rifampicina como alternativa de segunda linha quando o bezafibrato não está disponível ou é ineficaz. 1
Abordagem Terapêutica Escalonada
Medidas Gerais
- Usar emolientes para prevenir ressecamento da pele
- Evitar banhos quentes
- Aplicar géis refrescantes (ex: géis de mentol) nas áreas afetadas
- Manter as unhas curtas para evitar lesões por coceira
Primeira Linha
- Bezafibrato (400 mg/dia)
- Demonstrou benefício claro versus placebo no estudo FITCH para prurido colestático moderado a grave 1
- Apresenta efeitos anticolestáticos adicionais quando combinado com UDCA
- Monitorar creatinina sérica e transaminases
Segunda Linha
- Rifampicina (150-300 mg/dia)
Terceira Linha
- Colestiramina (4-16 g/dia)
- Administrar separadamente de outros medicamentos (intervalo de 2-4 horas)
- Eficácia marginal 1
- Tomar preferencialmente no café da manhã
- Monitorar constipação como efeito colateral
Quarta Linha
- Naltrexona (50 mg/dia)
- Iniciar com dose baixa (12,5 mg/dia) e aumentar gradualmente 1
- Monitorar reações semelhantes à síndrome de abstinência de opioides
- Pode reduzir o limiar de dor a longo prazo
Quinta Linha
- Sertralina (25-100 mg/dia)
Terapias Adicionais para Casos Refratários
- Fototerapia UVB de banda larga 3
- Estimulação elétrica transcutânea do nervo 3
- Drenagem nasobiliar (alívio temporário) 1
- Sistema de recirculação de adsorventes moleculares (MARS) 1
- Transplante hepático para prurido intratável persistente 1
Monitoramento e Acompanhamento
- Avaliar resposta ao tratamento após 2-4 semanas
- Para rifampicina, monitorar função hepática regularmente devido ao potencial hepatotóxico
- Considerar suplementação de vitamina K se o paciente estiver ictérico durante uso de rifampicina
Considerações Especiais
- Em pacientes com colestase da gravidez, o ácido ursodesoxicólico é o tratamento de primeira linha 1, 4
- Em crianças com doenças colestáticas genéticas, a abordagem deve ser adaptada conforme orientações específicas para pediatria 1
- O prurido colestático geralmente apresenta flutuação ao longo do dia, com pico no final da tarde e noite 1
Mecanismos Fisiopatológicos
- Evidências recentes implicam a autotaxina e o ácido lisofosfatídico como potenciais mediadores do prurido colestático 4, 5
- A rifampicina pode agir através da inibição da expressão de autotaxina dependente do receptor pregnano X (PXR) 5
O tratamento do prurido colestático deve seguir esta abordagem escalonada, avançando para a próxima linha terapêutica quando não houver resposta adequada após um período de tratamento apropriado.