Sintomas e Resultados Laboratoriais que Descartam Leptospirose
A ausência de febre, leucocitose, desvio à esquerda (aumento de neutrófilos imaturos) e manifestações clínicas específicas de infecção focal praticamente descarta o diagnóstico de leptospirose, especialmente se estes parâmetros permanecerem normais após 5-7 dias do início dos sintomas. 1, 2
Sinais e Sintomas Clínicos Essenciais
A leptospirose apresenta um amplo espectro clínico, mas certos sintomas são característicos da doença:
- Febre: É o sintoma mais consistente, presente em mais de 90% dos casos 3
- Cefaleia intensa
- Mialgia (especialmente na panturrilha)
- Sufusão conjuntival (vermelhidão ocular sem secreção purulenta)
- Calafrios
- Padrão bifásico da doença (fase septicêmica seguida por manifestações imunológicas)
A ausência simultânea destes sintomas principais, especialmente febre e mialgia, torna o diagnóstico de leptospirose altamente improvável 1, 2.
Alterações Laboratoriais Significativas
Os seguintes achados laboratoriais são comumente encontrados na leptospirose:
- Leucocitose (contagem de leucócitos >14.000 células/mm³)
- Desvio à esquerda (porcentagem de neutrófilos em banda >6% ou contagem total de neutrófilos em banda >1.500 células/mm³)
- Trombocitopenia
- Elevação de bilirrubinas (em casos com comprometimento hepático)
- Elevação de creatinina e ureia (em casos com comprometimento renal)
A ausência de leucocitose e/ou desvio à esquerda, especialmente em pacientes com sintomas sugestivos por mais de 5-7 dias, torna o diagnóstico de leptospirose altamente improvável 1, 2.
Testes Diagnósticos Confirmatórios
Para confirmação definitiva, a ausência dos seguintes resultados praticamente descarta leptospirose:
- Isolamento de Leptospira em amostras clínicas
- Aumento de quatro vezes ou mais no título de aglutinação entre amostras de soro da fase aguda e convalescente
- Demonstração de Leptospira por imunofluorescência em amostra clínica
- PCR positivo para Leptospira (nos primeiros dias da doença)
A ausência de soroconversão em testes pareados (fase aguda e convalescente) é particularmente importante para descartar o diagnóstico 1, 2, 4.
Algoritmo para Exclusão do Diagnóstico
Avaliação clínica inicial:
- Ausência de febre + ausência de mialgia + ausência de cefaleia → diagnóstico improvável
- Ausência de história de exposição a fatores de risco (contato com água contaminada, roedores) → diagnóstico menos provável
Avaliação laboratorial:
- Hemograma normal (sem leucocitose ou desvio à esquerda) após 5-7 dias de sintomas → diagnóstico muito improvável
- Função renal e hepática normais em paciente sintomático há mais de uma semana → diagnóstico improvável
Testes confirmatórios:
- Sorologia negativa em amostra pareada (fase aguda e após 2-3 semanas) → diagnóstico praticamente descartado
- PCR negativo nos primeiros 5 dias de doença + sorologia negativa na fase convalescente → diagnóstico descartado
Armadilhas e Considerações Importantes
- A leptospirose pode apresentar sintomas inespecíficos que mimetizam outras doenças febris como influenza, meningite, hepatite ou dengue 4
- Na fase inicial (primeiros 3-4 dias), os anticorpos podem estar ausentes, tornando os testes sorológicos negativos mesmo em casos verdadeiros 4
- A doença pode se apresentar de forma subclínica até formas graves com falência multiorgânica 5
- A ausência de icterícia não exclui leptospirose, pois apenas as formas graves (síndrome de Weil) apresentam comprometimento hepático significativo 2, 5
A combinação de ausência de febre, hemograma normal (sem leucocitose ou desvio à esquerda) e sorologia negativa na fase convalescente é o conjunto de achados mais confiável para descartar o diagnóstico de leptospirose.