Tratamento da Cefaléia Trigeminal com Sintomas Autonômicos
O tratamento de primeira linha para cefaléias trigêmino-autonômicas depende do subtipo específico, sendo lamotrigina (100-300 mg/dia) o medicamento de escolha para SUNCT/SUNA, indometacina (75-150 mg/dia) para hemicrania paroxística, e oxigênio 100% ou sumatriptana subcutânea para crises de cefaléia em salvas. 1, 2
Classificação e Diagnóstico Diferencial
As cefaléias trigêmino-autonômicas (TACs) incluem:
- Cefaléia em salvas (Cluster headache): Ataques de dor intensa unilateral durando 15-180 minutos, ocorrendo de 1-8 vezes por dia
- Hemicrania paroxística: Ataques mais curtos e frequentes que a cefaléia em salvas
- SUNCT/SUNA: Ataques muito breves (segundos a minutos) ocorrendo até 200 vezes ao dia
- Hemicrania contínua: Dor contínua com exacerbações
Todas apresentam sintomas autonômicos ipsilaterais como lacrimejamento, injeção conjuntival, rinorréia ou congestão nasal 1, 3
Algoritmo de Tratamento por Subtipo
1. SUNCT/SUNA
- Primeira linha: Lamotrigina (100-300 mg/dia) 1, 2
- Alternativas:
- Gabapentina (800-2700 mg/dia)
- Topiramato (50-300 mg/dia)
- Carbamazepina (200-1600 mg/dia)
- Para exacerbações agudas: Lidocaína intravenosa (1-4 mg/kg/hora) 2
2. Hemicrania Paroxística
3. Cefaléia em Salvas
Tratamento agudo:
- Oxigênio 100% inalatório
- Sumatriptana 6 mg subcutânea
- Segunda escolha: Spray nasal de sumatriptana (20 mg) ou zolmitriptana (5 mg) 2
Tratamento preventivo:
4. Hemicrania Contínua
Considerações Importantes
- A ressonância magnética é essencial para descartar causas secundárias e identificar possível compressão neurovascular 1, 5
- Em casos refratários ao tratamento medicamentoso, considerar consulta neurocirúrgica precoce 5
- Para casos de neuralgia do trigêmeo com compressão neurovascular documentada, a descompressão microvascular pode ser considerada, oferecendo as melhores taxas de alívio completo da dor a longo prazo 5
Armadilhas e Cuidados
- Não confundir TACs com neuralgia do trigêmeo - a presença de sintomas autonômicos proeminentes favorece o diagnóstico de TACs 1
- A resposta à indometacina é diagnóstica para hemicrania paroxística e hemicrania contínua 3
- Monitorar efeitos colaterais dos medicamentos, especialmente com uso prolongado de indometacina (problemas gastrointestinais) e verapamil (bloqueio cardíaco) 2
- A falha no reconhecimento do subtipo específico de TAC pode levar a tratamentos ineficazes, pois cada subtipo tem respostas terapêuticas características 1, 6
O diagnóstico preciso é fundamental para o tratamento adequado, já que cada subtipo de cefaléia trigêmino-autonômica responde a medicamentos específicos 4.