Amisulprida apresenta maior risco de parkinsonismo e discinesia em doses baixas comparada à Ziprasidona
A amisulprida causa sintomas extrapiramidais, incluindo parkinsonismo e discinesia, mesmo em doses baixas, enquanto a ziprasidona geralmente requer doses mais altas para manifestar esses efeitos. 1
Evidência Específica sobre Amisulprida em Doses Baixas
Relatos de caso documentam que a amisulprida causa sintomas extrapiramidais (acatisia, distonia aguda e parkinsonismo induzido por drogas) mesmo em doses baixas, contrariando a alegação de que sua seletividade límbica e menor ligação aos receptores dopaminérgicos estriatais resultariam em baixa incidência de SEP 1
A amisulprida demonstrou ser mais eficaz que a ziprasidona, mas essa eficácia superior pode estar associada a maior bloqueio dopaminérgico D2, o que explica o risco aumentado de sintomas extrapiramidais 2
Perfil de Sintomas Extrapiramidais da Ziprasidona
A ziprasidona está classificada em posição intermediária no ranking de risco de SEP: clozapina < quetiapina < olanzapina = ziprasidona, com risco geralmente manifestando-se em doses mais altas 3
No estudo EUFEST com pacientes de primeiro episódio, a ziprasidona causou aumento de acatisia (+14% após um mês), mas o parkinsonismo foi menos frequente comparado ao haloperidol 4
A ziprasidona produz ligeiramente mais sintomas extrapiramidais que a olanzapina, mas os efeitos são geralmente dose-dependentes 2
Mecanismo Farmacológico Explicativo
O risco de SEP está inversamente relacionado à potência antidopaminérgica (receptor D2): quanto maior a ligação ao D2, maior o risco de parkinsonismo e discinesia 3
A alta potência antiserotonérgica (receptor 5-HT2A) da ziprasidona pode limitar os SEP, oferecendo proteção relativa em doses terapêuticas 3
A amisulprida tem pouca ou nenhuma ação em receptores serotonérgicos, dependendo exclusivamente de sua "seletividade límbica" teórica, que na prática clínica não previne SEP em doses baixas 1
Implicações Clínicas Práticas
Para pacientes com alto risco de sintomas extrapiramidais (jovens do sexo masculino, idosos), a ziprasidona seria preferível à amisulprida, especialmente se doses baixas forem necessárias 5, 6
Monitore com a escala AIMS (Abnormal Involuntary Movement Scale) a cada 3-6 meses em ambos os medicamentos, mas mantenha vigilância especial com amisulprida mesmo em doses baixas 5
Se surgirem SEP com amisulprida em dose baixa, a primeira estratégia é trocar para antipsicótico atípico com menor risco (quetiapina, clozapina), não apenas reduzir a dose 6