Sim, o esôfago é órgão-alvo para infecção por CMV em pacientes imunossuprimidos
O esôfago é definitivamente um órgão-alvo para doença por citomegalovírus (CMV) em pacientes imunossuprimidos, embora seja menos comum que retinite e colite. A esofagite por CMV ocorre em menos de 5-10% dos pacientes com AIDS que desenvolvem doença de órgão-alvo por CMV 1.
Manifestações Clínicas da Esofagite por CMV
A esofagite causada por CMV apresenta-se tipicamente com 1:
- Febre
- Odinofagia (dor ao engolir)
- Náusea
- Desconforto retroesternal ou epigástrico médio
As manifestações podem incluir também disfagia e, ocasionalmente, sangramento gastrointestinal superior como apresentação inicial 2, 3.
Fatores de Risco e População Afetada
A doença de órgão-alvo por CMV ocorre principalmente em 1:
- Pacientes com imunossupressão avançada (tipicamente CD4+ <50 células/µL em HIV)
- Pacientes que não estão recebendo ou falharam à terapia antirretroviral
- Pacientes com outras infecções oportunistas prévias
- Níveis elevados de RNA do HIV-1 no plasma (>100.000 cópias/mL)
Importante notar que, embora raro, a esofagite por CMV pode ocorrer em pacientes imunocompetentes, especialmente durante doenças críticas ou durante quimiorradioterapia 4, 5, 6.
Características Endoscópicas
O diagnóstico é estabelecido pela presença de 7:
- Úlceras extensas, grandes e rasas do esôfago distal
- Evidência de biópsia de corpos de inclusão intranucleares nas células endoteliais
- Reação inflamatória na borda da úlcera
As lesões podem variar significativamente em aparência endoscópica 2, 3:
- Múltiplas úlceras bem circunscritas (mais comum)
- Úlceras gigantes (28% dos casos)
- Lesões menores que 1 cm (43% dos casos)
- Localização predominante no esôfago médio a distal
Abordagem Diagnóstica
A endoscopia digestiva alta com biópsia é essencial para o diagnóstico definitivo 7. Os testes devem incluir:
- Biópsias múltiplas das bordas e bases das úlceras, onde as células positivas para CMV estão mais concentradas 7
- Imunohistoquímica (IHQ) e/ou PCR tecidual são essenciais para confirmar infecção ativa por CMV 7
- Histopatologia demonstrando inclusões intranucleares e intracitoplasmáticas características ("olho de coruja") 7
Limitações dos Testes Sanguíneos
Importante: A presença de DNA de CMV no sangue não é suficiente para diagnosticar esofagite por CMV 7:
- A viremia pode estar presente sem doença de órgão-alvo 1
- A sensibilidade do PCR sanguíneo é apenas 60% 7
- Anticorpos séricos para CMV não são diagnosticamente úteis 1, 7
Tratamento em Doença Sistêmica
Em casos de doença sistêmica por CMV (incluindo esofagite), toda terapia imunossupressiva deve ser interrompida enquanto o CMV é tratado 1. O tratamento antiviral recomendado é 1:
- Ganciclovir intravenoso 5 mg/kg duas vezes ao dia por 5-10 dias
- Seguido por valganciclovir 900 mg diariamente até completar curso de 2-3 semanas
A transição precoce para tratamento oral é possível dependendo da resposta terapêutica 1.
Prognóstico e Complicações
A esofagite por CMV está associada a morbidade significativa 5, 3:
- Taxa de mortalidade em 1 mês: 16,7%
- Taxa de mortalidade em 1 ano: 25%
- Complicações potenciais incluem hemorragia extensa da mucosa e perfuração 1
Portanto, diagnóstico precoce e tratamento antiviral adequado são essenciais 3.