Dor na Crista Ilíaca: Diagnóstico Diferencial e Manejo Inicial
A dor na crista ilíaca com piora matinal e sensibilidade local sugere primariamente entesite inflamatória ou síndrome dolorosa da crista ilíaca, exigindo avaliação para espondiloartropatia e diferenciação de causas mecânicas.
Principais Diagnósticos Diferenciais
Entesite Inflamatória (Espondiloartropatia)
- Rigidez matinal superior a 30 minutos que melhora com atividade é característica cardinal de entesite inflamatória, distinguindo-a de causas mecânicas 1
- A crista ilíaca é um local frequente de entesite, definida por sensibilidade e/ou edema nas inserções tendíneas que requerem tratamento médico 1
- A flexão do quadril reproduz a dor ao tensionar as inserções tendíneas inflamadas do iliopsoas, auxiliando na diferenciação clínica 1
- Investigue sinais associados de espondiloartropatia: dor lombar inflamatória, uveíte, HLA-B27 positivo, história familiar 1
- Entesite em estágio inicial pode representar a manifestação inicial de espondiloartropatia, justificando encaminhamento reumatológico 1
Síndrome Dolorosa da Crista Ilíaca (ICPS)
- A ICPS está presente em 41% de todos os pacientes com dor lombar, sendo encontrada em 33-58% dependendo do contexto clínico 2
- Caracteriza-se por sensibilidade típica localizada sobre a parte medial da crista ilíaca 2
- Em 73% dos casos há dor localizada, com reprodução típica por movimentos da coluna lombar (64%) ou quadris (53%) 2
- O substrato anatômico é a êntese do músculo eretor da espinha na crista ilíaca póstero-medial 3
- A ultrassonografia mostra consistentemente as ênteses como estruturas fibrilares hiperecóicas com espessura média de 4,3-5,2 mm 3
Tendinopatia do Iliopsoas
- Dor matinal pode resultar de rigidez após imobilidade noturna, típica de tendinopatias 1
- Manobras provocativas que combinam flexão com rotação externa reproduzem dor por tensão tendínea 1
- A dor localizada no tubérculo ilíaco é extra-articular e não produz limitação acentuada da rotação interna do quadril 1
Neuropatia de Compressão
- Os ramos dorsais cutâneos de L1 ou L2 cruzam a crista a 7 cm da linha média, correlacionando-se com a projeção dorsal da inserção do ligamento iliolombar 4
- Em 5% dos casos, alguns ramos podem estar estreitados ao atravessar um orifício osteofibroso sobre a crista, sendo suscetíveis a neuropatia compressiva 4
Abordagem Diagnóstica Estruturada
Avaliação Clínica Inicial
- Caracterize o padrão temporal: rigidez matinal >30 minutos sugere inflamação 1
- Palpe a crista ilíaca medial: sensibilidade localizada confirma envolvimento 2
- Teste reprodução da dor: movimentos lombares, flexão do quadril, elevação da perna 2
- Avalie rotação interna do quadril: limitação marcada sugere patologia intra-articular, não crista ilíaca 1
Investigação Complementar
- Radiografias simples são úteis para excluir patologia óssea, mas não visualizam alterações de tecidos moles 1
- Ultrassonografia confirma tendinopatia do iliopsoas, mostrando espessamento tendíneo, redução da ecogenicidade e possíveis calcificações 1
- Ressonância magnética é superior para avaliar entesite ativa, demonstrando edema ósseo, erosões e alterações inflamatórias 5
- Considere fontes de dor referida: coluna lombar, articulação sacroilíaca, joelho 1
Manejo Terapêutico
Para Entesite Inflamatória Confirmada
- AINEs são recomendados como terapia adjuvante de primeira linha 1
- DMARDs ou agentes biológicos podem ser adicionados baseado na gravidade 1
- Encaminhamento reumatológico é essencial para manejo de espondiloartropatia 1
Para Tendinopatia/ICPS Mecânica
- Repouso relativo com redução de atividades repetitivas de flexão do quadril 1
- Programa estruturado de fisioterapia 1
- AINEs para controle sintomático 1
Armadilhas Comuns
- Não atribuir dor matinal apenas a causas mecânicas: rigidez matinal significativa é sinal cardinal de inflamação 1
- A inserção ilíaca do ligamento iliolombar é inacessível à palpação, sendo protegida pela crista ilíaca; a dor palpável provavelmente origina-se de ramos cutâneos dorsais ou êntese do eretor da espinha 4, 3
- Lesões inflamatórias podem afetar qualquer parte da articulação sacroilíaca, enquanto lesões mecânicas (como osteíte condensante do ílio) ocorrem tipicamente na região anterior média 5
- 34% dos pacientes submetidos a enxerto ósseo da crista ilíaca experimentam dor persistente no local doador, embora apenas 3% considerem inaceitável 6