Os Critérios de Tokyo são utilizados para Colangite e Colecistite
Os Critérios de Tokyo são utilizados principalmente para o diagnóstico, classificação de gravidade e manejo da colangite aguda e colecistite aguda. 1, 2, 3, 4
Critérios de Tokyo para Colangite Aguda
Os Critérios de Tokyo estabelecem um sistema padronizado para diagnóstico e classificação da gravidade da colangite aguda:
Diagnóstico de Colangite Aguda
- Tríade de Charcot: febre e/ou calafrios, dor abdominal (quadrante superior direito ou epigástrio) e icterícia 2
- Quando nem todos os componentes da tríade estão presentes, o diagnóstico pode ser feito com base em dados laboratoriais e achados de imagem que evidenciem inflamação e obstrução biliar 1
- A sensibilidade dos Critérios de Tokyo 2018 (TG18) para colangite aguda é de 86% e especificidade de 63%, com precisão diagnóstica de 81% 5
Classificação de Gravidade da Colangite
Os Critérios de Tokyo classificam a colangite aguda em três graus 1, 2:
- Grau I (Leve): Responde ao tratamento médico inicial com melhora dos achados clínicos
- Grau II (Moderada): Não responde ao tratamento médico inicial, sem disfunção orgânica
- Grau III (Grave): Acompanhada por pelo menos uma disfunção orgânica de início recente
Manejo da Colangite Aguda
- Administração precoce de antibióticos de amplo espectro (dentro de 1 hora em casos de choque séptico) 1
- Drenagem biliar de acordo com a gravidade 6:
- Grau III: drenagem urgente (em horas)
- Grau II: drenagem precoce (<24 horas após admissão)
- Grau I: observação inicial e antibióticos, com drenagem se não houver melhora
Critérios de Tokyo para Colecistite Aguda
Os Critérios de Tokyo também são utilizados para o diagnóstico e classificação da colecistite aguda 4:
- A sensibilidade dos critérios diagnósticos para colecistite aguda é de 91,2% e a especificidade de 96,9% 4
- A classificação de gravidade segue o mesmo padrão da colangite (Graus I, II e III)
Considerações Importantes
- A colangite bacteriana aguda é uma complicação comum e importante da colangite esclerosante primária (CEP) e geralmente ocorre em pacientes com estenose biliar de alto grau 6
- A exploração laparoscópica é uma opção para colangite aguda não grave relacionada a cálculos, além da drenagem endoscópica retrógrada ou percutânea transhepática 6
- A drenagem biliar cirúrgica deve ser evitada na colangite grave devido às altas taxas de mortalidade 6, 1
Conclusão
Os Critérios de Tokyo são aplicados principalmente para colangite aguda e colecistite aguda, não sendo específicos para coledocolitíase ou colecistolitíase isoladas, embora estas condições possam ser causas subjacentes de colangite ou colecistite 1, 2, 4.