What is the definition, etiology, signs and symptoms, diagnosis, treatment, and prognosis of ventilator-associated pneumonia (VAP)?

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Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV)

Definição

A pneumonia associada à ventilação mecânica é definida como pneumonia que ocorre mais de 48 horas após a intubação e início da ventilação mecânica. 1, 2

  • A PAV é a segunda infecção nosocomial mais comum em pacientes críticos, afetando 27% de todos os pacientes críticos, com 86% das pneumonias nosocomiais associadas à ventilação mecânica 2
  • A incidência varia entre 5-10 casos por 1.000 admissões hospitalares, com mortalidade atribuível variando de 0-50% 2
  • A PAV pode ser classificada em precoce (<5 dias) e tardia (≥5 dias), sendo que a maioria dos episódios ocorre nos primeiros 5 dias 3

Etiologia

Patógenos de PAV Precoce (<96 horas)

  • Bactérias sensíveis a antibióticos que colonizam o paciente antes da admissão hospitalar 4
  • Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus sensível à oxacilina 4
  • Microaspiração de secreções orofaríngeas colonizadas é a principal causa 3

Patógenos de PAV Tardia (>96 horas)

  • Bactérias resistentes a antibióticos incluindo Staphylococcus aureus resistente à oxacilina, Acinetobacter spp. e Pseudomonas aeruginosa 4
  • Importante: hospitalização prévia e exposição a antibióticos antes do início da ventilação mecânica são fatores de risco importantes para PAV por bactérias resistentes, independentemente do momento de início da PAV 4
  • Colonização patológica com bactérias gram-negativas ocorre após 5 dias de ventilação mecânica 3

Organismos de Alto Risco

  • Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp. e Stenotrophomonas maltophilia estão associados a taxas de mortalidade mais elevadas 1, 2
  • A mortalidade atribuível é maior com esses patógenos devido à sua virulência e à maior ocorrência de tratamento antibiótico inicial inadequado 4

Papel da Disbiose

  • A disrupção do ecossistema microbiano pulmonar (disbiose) é um fator-chave no desenvolvimento da PAV 5
  • A imunidade do hospedeiro é regulada pelo microbioma e profundamente afetada pela disbiose 5

Sinais e Sintomas

Critérios Clínicos Razoáveis para Suspeita de PAV

A suspeita de PAV deve ser baseada em infiltrado radiográfico novo e persistente (48 horas) ou progressivo MAIS dois dos seguintes critérios: 1, 2

  • Temperatura ≥38°C ou <36°C 1
  • Contagem de leucócitos ≥10.000 células/ml ou ≤5.000 células/ml 1
  • Secreções traqueais purulentas 1
  • Degradação das trocas gasosas 1

Limitações dos Critérios Clínicos

  • Importante: os critérios clínicos têm sensibilidade de apenas 69% e especificidade de 75% quando combinados 1, 6
  • Secreções traqueobronquiais purulentas estão invariavelmente presentes em pacientes com ventilação mecânica prolongada e raramente são causadas por pneumonia 1
  • Sinais sistêmicos (febre, taquicardia, leucocitose) são inespecíficos e podem ser causados por trauma, cirurgia, fase fibroproliferativa da SDRA, trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou infarto pulmonar 1

Considerações Especiais em SDRA

  • A sensibilidade dos critérios clínicos é ainda menor em pacientes com SDRA, com taxa de falso-negativo de 46% 1
  • Em pacientes com SDRA, a presença de mesmo um único critério clínico, instabilidade hemodinâmica inexplicada ou deterioração inexplicada dos gases arteriais deve levar à consideração de testes diagnósticos adicionais 1, 6

Traqueobronquite Nosocomial vs. PAV

  • Quando escarro purulento, cultura de escarro positiva, febre e leucocitose estão presentes SEM novo infiltrado pulmonar, considere traqueobronquite nosocomial em vez de pneumonia 1, 6
  • A traqueobronquite nosocomial está associada a maior tempo de permanência na UTI e no ventilador, sem aumento da mortalidade 1

Diagnóstico

Abordagem Diagnóstica Multifacetada

O diagnóstico requer alta suspeita clínica combinada com exame à beira do leito, exame radiográfico e análise microbiológica das secreções respiratórias. 1, 2

Exames Radiográficos

  • Radiografia de tórax demonstrando infiltrado novo ou progressivo é o padrão-ouro e obrigatória para diagnóstico definitivo 6
  • Características clínicas e exame físico isolados são insuficientes—radiografia de tórax é necessária para estabelecer o diagnóstico 6
  • Para pacientes hospitalizados com suspeita de pneumonia mas radiografia de tórax negativa, trate presumivelmente com antibióticos e repita a imagem em 24-48 horas 6

Exames Microbiológicos

  • Culturas quantitativas de secreções respiratórias são recomendadas para orientar a terapia antibiótica apropriada 2
  • Aspirado endotraqueal quantitativo (QEA) é custo-efetivo e pode ser implementado como técnica de vigilância 2
  • Técnicas broncoscópicas dirigidas (escova de espécime protegido e lavado broncoalveolar) são mais precisas para diagnóstico 7
  • Essas técnicas têm repetibilidade aceitável e a interpretação dos resultados não é afetada por antibióticos administrados concomitantemente para infecção em locais extrapulmonares, desde que a terapia antimicrobiana não tenha sido alterada por <72 horas antes da broncoscopia 7

Exames Laboratoriais Adicionais

  • Hemograma completo (leucócitos ≥12 × 10⁹/ml ou leucopenia) 1
  • Proteína C-reativa (PCR) >50 mg/mL aumenta a probabilidade de pneumonia 6
  • Oximetria de pulso deve ser realizada em todos os pacientes para detectar hipoxemia insuspeita 6
  • Gasometria arterial para avaliar degradação das trocas gasosas 1

Vigilância e Culturas de Vigilância

  • Vigilância agressiva é vital para compreender fatores locais que levam à PAV e o ambiente microbiológico de uma determinada unidade 1
  • Culturas de vigilância podem fornecer melhor orientação do que estratégias empíricas 1
  • Fornecer boletins epidemiológicos aos clínicos sobre incidência local de PAV e padrões de resistência antimicrobiana 2

Considerações sobre Candida

  • Espécies de Candida, embora comumente cultivadas, raramente causam doença pulmonar invasiva, mesmo quando limiares quantitativos são excedidos 1
  • Candida pode ser um marcador de que o paciente tem maior probabilidade de desenvolver PAV com P. aeruginosa (relação causal não demonstrada) 1
  • Não há dados para apoiar a administração rotineira de terapia antifúngica quando espécies de Candida são encontradas em secreções pulmonares de pacientes ventilados mecanicamente 1

Tratamento

Princípios Fundamentais

O início imediato de antibióticos de amplo espectro quando a PAV é suspeitada é crucial para reduzir a mortalidade, pois as primeiras 48 horas são críticas para a sobrevivência do paciente. 1, 2

  • Escolher um regime antibiótico apropriado, definido pelas sensibilidades do organismo cultivado e pelo regime de dosagem prescrito, é fundamental 1

Seleção Empírica de Antibióticos

  • O conhecimento dos antibiogramas locais deve orientar a seleção de antibióticos, considerando a probabilidade de patógenos de PAV precoce versus tardia 2
  • Considerar hospitalização prévia e exposição a antibióticos antes do início da ventilação mecânica ao decidir sobre regime antibiótico empírico apropriado, independentemente do momento de início da PAV 4

Reavaliação e Desescalonamento

  • Reavaliar no dia 3 para determinar se os antibióticos devem ser continuados, usando reavaliação clínica repetida e resultados de cultura 2
  • Desescalonar para antibióticos de espectro mais estreito com base nos resultados de cultura e resposta clínica 2
  • Cursos truncados de antibióticos são indicados para pacientes com melhora e cultura negativa e para PAV não causada por P. aeruginosa, Acinetobacter e Stenotrophomonas maltophilia 1
  • Essa prática pode reduzir a probabilidade de colonização com organismos multirresistentes ou criar um ambiente local de organismos resistentes 1

Uso Criterioso de Antibióticos

  • O uso criterioso de antibióticos é essencial, pois organismos resistentes continuam a assolar unidades de terapia intensiva e pacientes críticos 1
  • Terapia médica empírica apropriada durante as primeiras 48 horas é crítica, pois variações nesse período afetam significativamente os resultados 1

Prevenção

Estratégias Gerais

Os clínicos devem focar na eliminação ou minimização da incidência de PAV através de técnicas preventivas, abordando fatores de risco modificáveis. 1

  • Manter pessoal apropriado de profissionais de prevenção de infecção para monitorar taxas de PAV e implementar estratégias de prevenção 2
  • Taxas de conformidade da equipe de saúde variam entre 30-64%, indicando necessidade de melhor implementação 1

Ventilação Não Invasiva (VNI)

  • A ventilação mecânica não invasiva (VNI) está associada a resultados mais favoráveis (mortalidade e morbidade) em comparação com colocação de tubo endotraqueal em pacientes com exacerbações agudas de DPOC ou edema pulmonar agudo 1
  • A incidência de pneumonia nosocomial foi reduzida no grupo randomizado para VNI 1
  • Pacientes imunocomprometidos com infiltrados bilaterais também se beneficiaram da VNI sobre ventilação mecânica invasiva (VMI) em relação à mortalidade e morbidade 1

Técnicas de Intubação

  • Realizar intubação orotraqueal em vez de nasotraqueal para reduzir o risco de sinusite e pneumonia subsequente 1, 2
  • Intubação oral está associada a redução significativa na sinusite nosocomial, que está ligada à redução na PAV 1

Manejo do Tubo Endotraqueal

  • Usar tubos endotraqueais com capacidade de drenagem de secreções subglóticas através de sucção contínua ou intermitente 2
  • Manter pressão do cuff do tubo endotraqueal >20 cm H₂O para prevenir vazamento de secreções orofaríngeas 2
  • Avaliar regularmente a pressão do cuff endotraqueal 1

Posicionamento do Paciente

  • Elevar a cabeceira do leito em ângulo de 30-45 graus, especialmente em pacientes recebendo alimentação enteral 2
  • Posicionamento supino é fator de risco para PAV 3

Minimização da Duração da Ventilação Mecânica

  • Focar na minimização da duração da ventilação mecânica (DOMV) 1
  • Ventilação mecânica prolongada é fator de risco importante para PAV 8, 3

Outras Medidas Preventivas

  • Evitar distensão gástrica e minimizar transportes para fora da UTI quando possível 2
  • Atenção cuidadosa a intervenções aparentemente pequenas, como avaliação regular da pressão do cuff endotraqueal 1
  • Abordar fatores de risco modificáveis como tubos endotraqueais e nasogástricos, traqueostomia, reintubação, nutrição enteral, administração de corticosteroides, agentes modificadores do pH gástrico, uso prévio de antibióticos, práticas inadequadas de controle de infecção e equipamentos respiratórios, medicamentos ou água contaminados 1

Estratégias Farmacológicas Preventivas

  • Drogas incluindo clorexidina, antibióticos β-lactâmicos e probióticos têm sido usadas para prevenir PAV na clínica 8

Prognóstico

Mortalidade

  • A mortalidade atribuível varia de 0-50%, dependendo de vários fatores 2
  • Taxas de mortalidade mais elevadas são observadas em PAV causada por Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp. e Stenotrophomonas maltophilia 1, 2
  • A mortalidade atribuível associada à PAV parece ser maior para bactérias resistentes a antibióticos de "alto risco", incluindo Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus resistente à oxacilina 4
  • Pacientes que adquirem PAV têm maior risco de mortalidade do que pacientes ventilados comparativamente doentes que não desenvolvem pneumonia 4

Fatores que Afetam o Prognóstico

  • A terapia médica empírica apropriada durante as primeiras 48 horas é crítica para a sobrevivência do paciente 1
  • Os organismos recuperados têm impacto no resultado 1
  • A maior mortalidade hospitalar associada a patógenos de "alto risco" foi atribuída à virulência dessas bactérias e à maior ocorrência de tratamento antibiótico inicial inadequado da PAV devido à presença de resistência a antibióticos 4

Morbidade e Custos

  • A PAV aumenta o tempo de permanência na UTI em 4-13 dias 1, 2
  • Custos incrementais associados à PAV foram estimados entre $5.000 e $20.000 por diagnóstico 1, 2
  • A PAV pode causar dificuldade no desmame do ventilador e permanência hospitalar mais longa, resultando em enorme carga financeira para os pacientes e grande demanda por recursos médicos 8

Desafios Atuais

  • Os desafios atuais no manejo da PAV envolvem a falta de padrão-ouro para diagnóstico, ausência de estratégias preventivas eficazes e aumento da resistência a antibióticos 8
  • A incidência e a taxa de mortalidade da PAV diminuíram com o desenvolvimento de estratégias preventivas nas últimas décadas, mas a PAV permanece uma das causas mais comuns de infecções nosocomiais e morte na unidade de terapia intensiva 8

Fatores de Risco Adicionais que Afetam o Prognóstico

  • Idade avançada 3
  • Tipo de comorbidade 3
  • Tempo prolongado de ventilação mecânica e tempo de permanência hospitalar prolongado 8
  • Distúrbios de consciência 8
  • Queimaduras 8
  • Terapia antibiótica prévia 8, 3
  • Operações invasivas 8
  • Polimorfismos genéticos 8

References

Guideline

Guideline Directed Topic Overview

Dr.Oracle Medical Advisory Board & Editors, 2025

Guideline

Ventilator-Associated Pneumonia Diagnosis and Management

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

Research

Ventilator-associated pneumonia complicating the acute respiratory distress syndrome.

Seminars in respiratory and critical care medicine, 2001

Guideline

Diagnosis of Bronchopneumonia

Praxis Medical Insights: Practical Summaries of Clinical Guidelines, 2025

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