Broncoespasmo com Propranolol em Altas Doses
O broncoespasmo pode ocorrer mesmo em altas doses de propranolol, mas é raro e ocorre principalmente em pacientes com doença pulmonar reativa pré-existente, não sendo uma manifestação universal da toxicidade por propranolol.
Evidência de Casos de Overdose
A literatura documenta que o broncoespasmo não é uma manifestação consistente da intoxicação por propranolol, mesmo em doses maciças:
Em uma série de 40 casos publicados de overdose de propranolol, apenas um único caso de broncoespasmo foi relatado, apesar de 8 mortes terem ocorrido por outras complicações cardiovasculares 1
Dois adolescentes asmáticos que fizeram overdose de albuterol foram tratados com sucesso com propranolol intravenoso e nenhum dos dois desenvolveu broncoespasmo, apesar de terem asma pré-existente 2
Um caso de overdose de atenolol (outro beta-bloqueador) em paciente com asma mostrou níveis sanguíneos muito elevados sem comprometimento cardiovascular, necessitando apenas de broncodilatadores inalados para exacerbação da asma 3
Mecanismo Fisiopatológico
A insuficiência respiratória na overdose de propranolol ocorre por mecanismos diferentes do broncoespasmo:
A causa primária é o colapso cardiovascular e depressão do sistema nervoso central, não o broncoespasmo 4
O broncoespasmo, quando ocorre, é uma complicação secundária em pacientes com doença pulmonar reativa pré-existente 4
Os mecanismos múltiplos incluem depressão miocárdica direta devido ao bloqueio beta, que prejudica a estimulação simpática vital para manter a função circulatória, levando à hipoperfusão e insuficiência respiratória secundária 4
Fatores de Risco para Broncoespasmo
O broncoespasmo com propranolol é dose-dependente e relacionado à condição pulmonar basal:
Em uso terapêutico, o broncoespasmo ocorre em 3-13% dos pacientes, principalmente naqueles com doença pulmonar pré-existente 4
O propranolol é contraindicado em pacientes com doença pulmonar reativa (asma, DPOC) porque pode provocar broncoespasmo ao bloquear a broncodilatação mediada por receptores beta-2 4
Diretrizes da ACC/AHA/HRS listam "doença das vias aéreas reativas" como precaução para uso de beta-bloqueadores, incluindo propranolol 5
Tratamento da Overdose
A abordagem terapêutica prioriza a estabilização cardiovascular:
Isoproterenol e aminofilina podem ser usados para broncoespasmo quando presente 6
O foco inicial deve ser na estabilização cardiovascular e suporte ventilatório, não no tratamento primário do broncoespasmo 4
Glucagon 50-150 mcg/kg IV seguido de infusão contínua de 1-5 mg/hora é particularmente útil para hipotensão ou depressão miocárdica 6
Advertências Importantes da FDA
A bula do propranolol estabelece claramente:
"Em geral, pacientes com doença pulmonar broncoespástica não devem receber beta-bloqueadores" 6
O propranolol deve ser administrado com cautela neste contexto, pois pode provocar ataque asmático ao bloquear a broncodilatação produzida por estimulação de receptores beta por catecolaminas endógenas e exógenas 6