Critérios para Internação Hospitalar
A decisão de internação hospitalar deve ser baseada em instabilidade hemodinâmica, comprometimento respiratório, disfunção orgânica aguda, ou escores de gravidade validados complementados por julgamento clínico sobre fatores sociais e capacidade funcional do paciente. 1
Critérios Gerais de Internação
Instabilidade Cardiovascular e Respiratória
- Pacientes com dispneia persistente e significativa ou instabilidade hemodinâmica devem ser triados para locais onde suporte ressuscitativo imediato possa ser fornecido. 1
- Necessidade de intubação, instabilidade hemodinâmica persistente, arritmias recorrentes, ou insuficiência cardíaca aguda associada à síndrome coronariana aguda exigem internação hospitalar. 1
- Saturação de oxigênio <90% indica necessidade de internação mesmo quando escores de gravidade são baixos. 1
Fatores Precipitantes Cardíacos
- Não adesão ao regime medicamentoso, isquemia miocárdica aguda, hipertensão não controlada, e fibrilação atrial são fatores que frequentemente requerem hospitalização. 1
- Três perfis clínicos principais descrevem pacientes hospitalizados: sobrecarga de volume, débito cardíaco deprimido, e sinais e sintomas combinados. 1
Critérios Específicos por Condição
Pneumonia
- Utilize o escore CURB-65 ≥2 ou PSI classe IV-V para identificar pacientes que necessitam internação, sempre complementando com julgamento clínico sobre capacidade de tomar medicações orais, suporte social, e presença de complicações. 2
- Pacientes com CURB-65 ≥2 apresentam mortalidade de 9,2-40% e requerem internação ou cuidados domiciliares intensivos. 1, 2
- Fatores críticos que superam escores baixos e indicam internação: saturação arterial de oxigênio <90%, PaO₂ <60 mmHg, instabilidade hemodinâmica, ou complicações como derrame pleural ou envolvimento multilobar. 2
Critérios para UTI em Pneumonia
- Admissão direta em UTI está indicada para pacientes com choque séptico necessitando vasopressores ou insuficiência respiratória aguda necessitando intubação e ventilação mecânica. 2
- Três ou mais critérios menores (frequência respiratória >30 irpm, relação PaO₂/FiO₂ <250, ou infiltrados multilobares) requerem admissão em UTI ou unidade de monitorização de alto nível. 2
Asma
- Para crianças, saturação de oxigênio repetidamente <92-94% após 1 hora é preditiva da necessidade de internação. 1
- Para adultos, medidas repetidas de função pulmonar (VEF1 ou PFE) em 1 hora são o preditor mais forte de hospitalização. 1
- A presença de sonolência é preditor de insuficiência respiratória iminente e justifica considerar transferência imediata para unidade equipada para suporte ventilatório. 1
Infecções de Pele e Tecidos Moles (Celulite)
- Internação está indicada quando há sinais de infecção sistêmica, alteração do estado mental, instabilidade hemodinâmica, ou preocupação com infecção mais profunda ou necrosante. 1
- Imunocomprometimento grave ou falha do tratamento ambulatorial também indicam hospitalização. 1
Armadilhas Comuns a Evitar
- Não considerar a capacidade do paciente de tomar medicações orais, suporte social adequado, e presença de complicações não capturadas pelos escores de risco. 1
- Usar agentes inotrópicos parenterais em pacientes normotensos com insuficiência cardíaca aguda descompensada sem evidência de hipoperfusão orgânica. 1
- Usar monitorização hemodinâmica invasiva de rotina em pacientes normotensos com insuficiência cardíaca aguda descompensada e congestão que respondem sintomaticamente a diuréticos e vasodilatadores. 1
- Basear-se exclusivamente em escores objetivos sem avaliar a aparência clínica geral do paciente e fatores contextuais. 2, 3
Algoritmo de Decisão Prático
Avalie primeiro instabilidade vital: hipotensão, choque, hipoxemia (SatO₂ <90%), alteração do estado mental, ou necessidade de suporte ventilatório → Internação imediata 1, 2
Calcule escores de gravidade quando aplicável:
Avalie fatores clínicos adicionais:
Considere fatores precipitantes cardíacos: isquemia aguda, arritmias, hipertensão não controlada → Internação 1