Tratamento da Nefropatia Diabética
O tratamento da nefropatia diabética deve incluir inibidores da ECA ou BRAs como primeira linha, controle glicêmico e pressórico rigorosos, e restrição proteica moderada para reduzir a progressão da doença renal e a mortalidade cardiovascular. 1
Abordagem Terapêutica
Controle Metabólico e Hemodinâmico
- Controle glicêmico: Otimizar o controle glicêmico com meta de HbA1c <7% para reduzir o risco ou retardar a progressão da nefropatia 2
- Controle pressórico: Manter pressão arterial <140/90 mmHg, considerando metas mais rigorosas (<130/80 mmHg) em pacientes com albuminúria 2, 1
Terapia Farmacológica Renoprotectora
Inibidores do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona
Inibidores da ECA ou BRAs:
- Indicados para pacientes com microalbuminúria (30-299 mg/g creatinina), mesmo com pressão arterial normal 1
- Primeira linha para pacientes com diabetes, hipertensão e microalbuminúria 2
- Em pacientes com diabetes tipo 1 hipertensos com qualquer grau de albuminúria, inibidores da ECA demonstraram retardar a progressão da nefropatia 2
- Em pacientes com diabetes tipo 2 hipertensos com microalbuminúria, tanto inibidores da ECA quanto BRAs retardam a progressão para macroalbuminúria 2
- Em pacientes com diabetes tipo 2, hipertensão, macroalbuminúria e insuficiência renal (creatinina sérica >1,5 mg/dl), BRAs demonstraram retardar a progressão da nefropatia 2, 3
Monitoramento:
Intervenções Dietéticas
Restrição proteica:
- Recomenda-se ingestão proteica de 0,8 g/kg/dia (10% das calorias diárias) em pacientes com nefropatia manifesta 2
- Quando a TFG começa a cair, uma restrição adicional para 0,6 g/kg/dia pode ser útil para retardar o declínio da TFG em pacientes selecionados 2
- Preferência por fontes vegetais de proteína 4
- Planos alimentares com restrição proteica devem ser elaborados por nutricionista familiarizado com o manejo dietético do diabetes 2
Outras restrições dietéticas:
Rastreamento e Monitoramento
Rastreamento:
Monitoramento:
Considerações Especiais
Meios de contraste radiológicos são particularmente nefrotóxicos em pacientes com nefropatia diabética; pacientes azotêmicos devem ser cuidadosamente hidratados antes de procedimentos que requeiram contraste 2
Considerar encaminhamento a um nefrologista quando a TFG cair para <60 mL/min/1,73 m² ou quando surgirem dificuldades no manejo da hipertensão ou hipercalemia 2
Terapias Emergentes
Inibidores de SGLT2 e agonistas do receptor de GLP-1 têm mostrado benefícios na redução da progressão da nefropatia diabética e do risco cardiovascular 4
Finerenona (antagonista não esteroidal da aldosterona) é uma opção emergente para o tratamento da nefropatia diabética 4
Armadilhas e Cuidados
Evitar a combinação de inibidores da ECA com BRAs, pois não proporciona benefício adicional para desfechos renais e aumenta o risco de hipercalemia e lesão renal aguda 1
Monitorar atentamente o uso de inibidores da ECA ou BRAs em pacientes idosos e com insuficiência renal avançada devido ao risco de hipercalemia 2
A deficiência nutricional pode ocorrer em alguns indivíduos com restrição proteica excessiva e pode estar associada à fraqueza muscular 2