Radioterapia para Recidiva Axilar Tardia com Extensão Extracapsular
A radioterapia axilar está indicada para esta paciente com recidiva axilar tardia, mesmo com apenas 1 de 34 linfonodos comprometidos, devido à presença de extensão extracapsular, que é um fator de alto risco para recorrência local e sistêmica.
Análise da Situação Clínica
A paciente apresenta:
- Recidiva axilar tardia (8 anos após cirurgia primária de mama)
- Dissecção axilar recente com achado de 1 em 34 linfonodos comprometidos
- Presença de extensão extracapsular
Justificativa para Radioterapia Axilar
Extensão Extracapsular como Fator de Risco
A extensão extracapsular é um marcador importante de agressividade tumoral e está associada a:
- Maior risco de recorrência locorregional 1
- Pior prognóstico em termos de sobrevida global 2
- Duplicação das taxas de recorrência em parede torácica e região supraclavicular 2
Evidências Específicas
Diretrizes da ESMO: Recomendam radioterapia para pacientes com linfonodos axilares comprometidos, independentemente do número de linfonodos envolvidos, devido ao risco aumentado de recorrência local e sistêmica 3, 1
Estudos sobre Extensão Extracapsular: Mostram que a extensão extracapsular está associada a:
Campos de Irradiação Recomendados
Para esta paciente, o tratamento deve incluir:
Região Axilar: Foco principal devido à recidiva axilar 1
Fossa Supraclavicular: Indicada quando há envolvimento axilar, conforme recomendado pelas diretrizes da ESMO 3, 1
Considerar Cadeia Mamária Interna: Especialmente se o tumor primário era medial ou central 3, 1
Dose e Fracionamento
- Dose total de 45-50 Gy em 25-28 frações de 1,8-2,0 Gy 3
- Considerar dose adicional (boost) de 10-16 Gy para áreas de maior risco 3
- Planejamento baseado em TC para minimizar dose em coração e pulmões 3
Considerações Importantes
- Mesmo com apenas 1 linfonodo positivo, a extensão extracapsular justifica a radioterapia devido ao risco aumentado de recorrência 1
- A recidiva axilar representa uma forma de recorrência locorregional, ocorrendo em menos de 10-15% de todas as recorrências, e está associada a maior risco de metástases distantes e pior prognóstico 1
- Após dissecção axilar, a radioterapia axilar deve ser considerada com cautela devido ao risco aumentado de complicações locorregionais 3, porém a presença de extensão extracapsular modifica esta consideração
Cuidados e Monitoramento
- Utilizar técnicas modernas como IMRT, gating respiratório ou posicionamento prono para reduzir toxicidade 1
- Monitorar efeitos colaterais como linfedema, que pode ocorrer em 4-11% dos casos após radioterapia axilar 6
- Avaliar função do ombro periodicamente, pois limitações podem ocorrer em 17-35% dos casos 6
A radioterapia axilar neste caso específico é justificada pela presença de extensão extracapsular, que representa um fator prognóstico significativo para recorrência locorregional e sobrevida global, mesmo com apenas um linfonodo comprometido.